quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

[OPINIÃO] - A Criança Roubada

Título: A Criança Roubada
Autor: Keith Donohue
Editora: Saída de Emergência
Edição: Maio de 2008
1.ª Edição: 2006
ISBN: 9789896377793
Páginas: 288
A minha classificação: 3,5/5★

SINOPSE:
Numa noite de Verão, Henry Day foge de casa e esconde-se no interior de uma árvore oca. É então que é encontrado pelos trasgos, uma tribo de crianças que não envelhecem e que existem na escuridão e em segredo. É levado por eles e baptizado de Aniday. Para sempre uma criança, Aniday cresce em espírito, esforçando-se por recordar a vida e a família que deixou para trás. Também tenta compreender e adaptar-se à terra das sombras, enquanto a vida moderna chega não só à natureza mas também ao mito. No seu lugar, os trasgos deixam um sósia, um rapaz que rouba a vida de Henry no mundo. Este novo Henry Day tem de se ajustar a uma cultura moderna enquanto esconde a sua verdadeira identidade da restante família Day. Mas não consegue esconder o seu extraordinário talento para o piano (um dom que o verdadeiro Henry nunca possuíra) e as suas maravilhosas exibições deixam o pai desconfiado de que o filho que criou é um impostor. Enquanto envelhece, o novo Henry Day é assombrado por vagas mas persistentes memórias de uma vida noutro tempo e local, de um professor alemão de piano e do seu aluno prodígio. A Criança Roubada é uma história clássica sobre a infância que é deixada para trás em busca de uma identidade. Com a mistura perfeita de realismo e fantasia, Keith Donohue criou uma história de embalar para adultos e uma fábula literária de grande profundidade.

OPINIÃO:
Este livro já estava na minha estante há muitos anos à espera de ser lido. Pela sinopse, sempre pensei que fosse um livro juvenil, tanto por ter como personagens principais as crianças, como pelo uso da fantasia, género pelo qual não me interessava muito. No entanto, nos últimos tempos tenho gostado cada vez mais de ler livros de fantasia e resolvi pegar neste. Engane-se quem pensa que este é um livro para crianças...

O livro inicia-se com o rapto de uma criança de sete anos, Henry Day, por um grupo de trasgos. Estes são seres sobrenaturais que vivem nos bosques e que vivem eternamente em corpo de crianças. No lugar de Henry deixam um trasgo, que se transforma de modo a ficar idêntico ao menino raptado para que ninguém desconfie da troca. Contudo, este novo Henry possui um talento para o piano que o antigo não tinha, o que deixa o pai algo desconfiado. Já o verdadeiro Henry, que foi apelidado de Aniday, tem de se habituar a uma nova vida nos bosques, a viver em tocas com os outros trasgos e é impedido de voltar para a sua família. A narrativa é contada a duas vozes, ora pelo Henry, ora pelo antigo trasgo, e aos poucos assistimos ao cruzamento cada vez mais iminente das suas vidas. A história segue o crescimento destas duas personagens à medida que amadurecem, exploram as suas emoções e se descobrem a si mesmas. 



O tema principal do livro é mesmo a autodescoberta. Henry Day, agora Aniday, começa a esquecer-se do seu verdadeiro nome, de quem era e como era a sua vida antes do rapto. Já o "substituto" vive com medo de ser descoberto e tenta adaptar-se à nova realidade e às pessoas que o rodeiam. Ambos se sentem permanentemente insatisfeitos, como se faltasse algo nas suas vidas, e são várias as reflexões que ambas as personagens fazem. Este é, para mim, o factor menos positivo do livro pois quebra toda a aura mística e fantástica transmitida pelo autor, e acabou por me cansar em alguns momentos. O ritmo da história é bastante lento, possivelmente uma forma criada por Donohue para indicar a passagem do tempo.

Esta leitura foi uma boa surpresa pois não esperava encontrar algo tão intenso. Penso que é um livro indicado para os amantes de fantasia, de lendas e de mitos.

[OPINIÃO] - Canção de Embalar de Auschwitz

Título: Canção de Embalar de Auschwitz
Autor: Mario Escobar
Editora: Harper Collins
Edição: Janeiro de 2016
ISBN: 9788416502691
Páginas: 240
A minha classificação: 5/5★

SINOPSE:
Sobre a lama negra de Auschwitz que tudo devora, Helene Hanneman levantou uma creche no Campo Cigano. Nesse lugar, onde a felicidade é proibida, a jovem mãe ajuda a sobreviver a pouco mais de uma centena de crianças e, a pesar do horror do campo de extermínio, Helene não desiste, nunca perde a vontade de viver nem de ajudar e ensina-nos uma lição maravilhosa sobre a coragem. Um romance emocionante baseado em factos reais, que resgata do esquecimento uma das mais comoventes histórias de heroísmo de uma mãe alemã no meio do terror nazista. Inspirado numa história real, Canção de embalar de Auschwitz é uma homenagem à bondade, à coragem e à generosidade das pessoas comuns. 
Um relato comovente em que se entrelaçam a vida de prisioneiros ciganos, judeus e alemães, que lutam por sobreviver no inferno do maior campo de extermínio da História.

OPINIÃO:
Tinha vontade de ler este livro desde o momento em que comecei a interessar-me pelo tema. É verdade que todos os livros sobre o Holocausto que li até agora me tocaram, de certa forma, mas este tornou-se num dos meus preferidos. A força de Helene é enorme e a forma como conseguiu levar um pouco de alegria até aquele inferno é incrível. Este é um livro de ficção inspirado em pessoas e em factos reais.

Helene Hanneman era uma mulher alemã, que tinha uma vida feliz com o seu marido cigano e os cinco filhos. Tudo mudou quando os alemães bateram à sua porta para levarem a sua família. Por ser ariana, Helene não tinha de os acompanhar, mas ela recusou desde o primeiro momento deixar os seus filhos e o marido. Foram transportados nos vagões de gado e levados para Auschwitz II - Birkenau, onde o casal foi separado e Helene passou momentos bastante difíceis com os seus filhos.
É então que o doutor Mengele entra na vida desta mulher e sugere que ela abra uma creche dentro do campo. É assim que Helene consegue melhorar as condições de vida dela e dos seus filhos e trazer algum conforto às crianças do campo, dando-lhes comida, melhores condições e alguns "luxos", como lápis de cor, filmes e livros. Por momentos, estas crianças podiam sentir-se amadas, confortáveis e esquecer-se daquilo que se passava fora da creche. Mas claro que a criação da creche não foi em vão e Mengele tinha planos para muitas das crianças que frequentavam aquele espaço...

Este livro conseguiu arrepiar-me e levar-me às lágrimas. Este já é um tema bastante forte mas, para mim, torna-se ainda mais pesado por ter como foco principal as crianças. Foi também o primeiro livro que li que focou mais as experiências de Mengele, aquele que foi considerado "o anjo da morte", e esse foi o aspecto que mais me chocou. Como é que é possível alguém ser tão pouco humano, como é que é possível ter existido um monstro destes?



Normalmente, quando penso em campos de concentração, penso sempre nos judeus. Gostei bastante deste livro porque nos dá uma outra perspectiva. Lembra-nos de que os ciganos também foram perseguidos, também foram vítimas deste horror e muitos deles morreram às mãos dos SS. Aliás, estima-se que apenas 3000 dos 22 000 ciganos que chegaram a Birkenau tenham sobrevivido. Para além disso, este foi um livro que li de um fôlego. A escrita de Escobar é muito simples, mas carregada de sentimento.

No entanto, aquilo que mais emocionou nesta leitura foi mesmo a luta desta mãe pelos seus filhos, a luta desta mulher pelo bem-estar das crianças do campo. Não deixo de ficar admirada pela crueldade de que o ser humano é capaz, pelo inferno que foi este período da História, mas também não deixo de me surpreender pelos heróis e heroínas que se encontram, pela garra que alguns dos prisioneiros tinham. E se há algo que este livro nos mostra é a força destas pessoas, o poder da união e a ínfima esperança que custava a morrer.

Este é um livro que não deve deixar de ser lido...


segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

[OPINIÃO] - O Diário de Anne Frank - Diário Gráfico

Título: O Diário de Anne Frank - Diário Gráfico
Autor: Ari Folman
Ilustrador: David Polonsky
Editora: Porto Editora
Edição: Setembro de 2017
ISBN: 978-972-0-04044-2 
Páginas: 160
A minha classificação: 5/5★

SINOPSE:
Escrito entre 12 de junho de 1942 e 1 de agosto de 1944, O Diário de Anne Frank foi publicado pela primeira vez em 1947, por iniciativa de seu pai, revelando ao mundo o dia a dia de dois longos anos de uma adolescente forçada a esconder-se, juntamente com a sua família e um grupo de outros judeus, durante a ocupação nazi da cidade de Amesterdão.
Todos os que se encontravam naquele pequeno anexo secreto acabaram por ser presos em agosto de 1944, e em março de 1945 Anne Frank morreu no campo de concentração de Bergen-Belsen, a escassos dois meses do final da guerra na Europa. O seu diário tornar-se-ia um dos livros de não ficção mais lidos em todo o mundo, testemunho incomparável do terror da guerra e do fulgor do espírito humano.


OPINIÃO:
Li O Diário de Anne Frank quando tinha 12 anos. Foi o primeiro contacto que tive com o Holocausto e lembro-me que a história daquela menina, praticamente da mesma idade que eu, me chocou imenso. Sete décadas após o lançamento de um dos livros mais conhecidos, a Porto Editora lançou esta edição em formato Banda Desenhada e eu fiquei logo com vontade de voltar a encontrar-me com Anne Frank.

Penso que Folman e Polonsky conseguiram transmitir muito bem as ideias e a personalidade da jovem, bem como a vida que aquelas oito pessoas tinham no anexo. É claro que não está tão explícito nem é tão forte como a edição original, mas é preciso ter em conta que este é um livro para jovens e que, por essa razão, os autores tiveram o cuidado de escolher bem as palavras e acompanhá-las com ilustrações chamativas e, por vezes, um pouco bizarras e cómicas.


No entanto, há momentos que merecem ser lidos com atenção e sensibilidade pela enorme carga emocional que transmitem. Não nos esqueçamos que esta é a história de uma jovem de 13 anos que se vê obrigado a viver num espaço pequeno, com quatro estranhos, durante dois anos. Já é difícil ser adolescente, ser comparada à irmã perfeita, andar em "pé-de-guerra" com a mãe e ver as modificações que o seu corpo e a sua mente sofrem. É ainda mais complicado quando se é obrigado a conviver com pessoas que não conhecíamos e que opinam sobre a nossa vida como se tivessem esse direito, pessoas com personalidades tão distintas da nossa. E viver tudo isto com o medo de se poder ser descoberto e morto a qualquer momento é algo insuportável.


Os autores conseguem transmitir a preocupação que havia com a escassez de comida, as discussões existentes no anexo, o terror que vinha com o barulho das bombas e as variações de humor de Anne Frank, bem como a sua paixão por Peter. A grande imaginação e o sentido de humor da jovem também não foram esquecidos e há momentos bastante cómicos e caricatos dos habitantes do anexo. A arte de Polonsky é incrível e é, sem dúvida, um factor que enriquece bastante esta obra.
Dei por mim a envolver-me novamente na história, como se não a conhecesse, e a admirar-me com a maturidade de Anne. O modo como transmite os seus sonhos e sentimentos são de uma enorme profundidade, nada característica em jovens desta idade. Já em relação à sua personalidade, encontramos as atitudes e as ideias próprias de uma adolescente.

Folman e Polonsky procuraram manter-se fiéis ao diário de Anne Frank, mas inovaram nas palavras para procurar uma maior aceitação por parte do público mais jovem. Esta é, no entanto, uma interpretação muito respeitadora e que encontrou a aprovação da família de Anne para poder ser publicada.
É um livro que merece, sem dúvida, ser lido por jovens e adultos.


terça-feira, 23 de janeiro de 2018

[OPINIÃO] - Noite

Título: Noite
Autor: Elie Wiesel
Editora: Texto Editores
Edição: Junho de 2012
ISBN: 9789724745244
Páginas: 136
A minha classificação: 5/5★

Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para apoio a projetos relacionados com a História Universal no Ensino Secundário.


SINOPSE
Nascido no seio de uma família judia na Roménia, Elie Wiesel era adolescente quando, juntamente com a família, foi empurrado para um vagão de carga e transportado, primeiro para o campo de extermínio, Auschwitz, e, depois, para Buchenwald. Este é o aterrador e íntimo relato do autor sobre os horrores que passou, a morte dos pais e da irmã de apenas oito anos, e da perda da inocência a mãos bárbaras. Descrevendo com grande eloquência o assassínio de um povo, do ponto de vista de um sobrevivente, Noite faz parte dos mais pessoais e comovedores relatos sobre o Holocausto, e oferece uma perspectiva rara ao lado mais negro da natureza humana.

OPINIÃO
Comecei a interessar-me por livros sobre a Segunda Guerra Mundial no ano passado, graças à Dora e à Sara. Antes disso só tinha lido O Diário de Anne Frank e, até hoje, considero que ainda li muito pouco sobre o assunto. Este é um tema que nunca se esgota; há sempre heróis para serem descobertos, horrores para serem relatados e vidas para serem choradas.
Imagino que seja difícil relatar tudo o que aconteceu, pois todas as palavras devem parecer insuficientes, mas Elie Wiesel (Prémio Nobel da Paz em 1986) conseguiu expressar toda a barbaridade a que assistiu e de que foi vítima em poucas páginas. É incrível como um livro tão curto nos consegue transmitir tanto.

Confesso que, ao início, a leitura não me estava a cativar tanto como queria. Penso que o principal motivo foi a questão religiosa, muito presente ao longo de todo o livro. No entanto, com o desenrolar da narrativa, percebemos que este é realmente um aspecto fulcral na vida do autor e achei incrível a forma como a perda da fé vai sendo relatada. Esse foi um dos pontos que tornou este livro diferente de todos os outros que já li sobre o tema.
Aquilo que, a meu ver, mais diferencia este livro em relação a outros é o facto de se encontrar escrito na primeira pessoa, não havendo qualquer tipo de ficção, mas sim um testemunho real, duro e implacável, de quem viveu aquele enorme pesadelo. É impressionante a forma como o autor nos fala sobre a morte, a miséria e o medo de uma forma tão poética. Ao longo do livro senti-me como se estivesse a ser embalada nas palavras de Wiesel mas, em vez de me acalmar, senti-me cada vez mais agitada e desgostosa.


Esta leitura foi mesmo um crescendo de emoções. Em grande parte, o que contribuiu para isso, foi o relato da relação do autor com o seu pai, o seu grande companheiro durante o tempo em cativeiro. A companhia um do outro foi o que lhes deu forças para continuarem e a preocupação que tinham um com o outro era enternecedora. É horrível percebermos que, apesar de todo o amor que Wiesel sentia pelo pai, houve momentos em que os campos de concentração quase lhe tiraram a humanidade. E foi mesmo esta relação entre pai e filho que mais me comoveu ao longo de todo o livro e também aquilo que me deixou com um grande nó no estômago.
É um livro incrível, que não deve deixar de ser lido.


Nota: Este é o primeiro livro de uma trilogia. Os outros dois livros são Amanhecer e Dia.

[OPINIÃO] - A Educação de Eleanor

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Título: A Educação de Eleanor
Autor: Gail Honeyman
Editora: Porto Editora
Edição: Abril de 2017
ISBN: 978-972-0-04898-1
Páginas: 328
A minha classificação: 5/5★

SINOPSE
Eleanor Oliphant tem uma vida perfeitamente normal - ou assim quer acreditar. É uma mulher algo excêntrica e pouco dotada na arte da interação social, cuja vida solitária gira à volta de trabalho, vodca, refeições pré-cozinhadas e conversas telefónicas semanais com a mãe.
Porém, a rotina que tanto preza fica virada do avesso quando conhece Raymond - o técnico de informática do escritório onde trabalha, um homem trapalhão e com uma grande falta de maneiras - e ambos socorrem Sammy, um senhor de idade que perdeu os sentidos no meio da rua.
A amizade entre os três acaba por trazer mais pessoas à vida de Eleanor e alargar os seus horizontes. E, com a ajuda de Raymond, ela começa a enfrentar a verdade que manteve escondida de si própria, sobre a sua vida e o seu passado, num processo penoso mas que lhe permitirá por fim abrir o coração.


OPINIÃO
Assim que vi este livro fiquei com vontade de o ler, por várias razões. Primeiro, a capa captou logo a minha atenção pela sua beleza, depois porque fiquei intrigada ao ler a sinopse e, por fim, pelas inúmeras opiniões positivas que li e ouvi nas diversas redes sociais. Tinha quase a certeza de que ia ser uma boa leitura e não me enganei. Assim que comecei a ler, não consegui parar.
Eleanor tem 29 anos, vive sozinha e tem um trabalho estável. Ao que tudo indica tem uma vida perfeitamente normal e sente-se bem com o seu quotidiano (aliás, o título original do livro é Eleanor Oliphant is Completely Fine). Mas não é bem assim... A protagonista deste livro ora é invisível ora é motivo de riso no local onde trabalha, não tem amigos, os seus fins-de-semana são passados na companhia de vodka e o seu passado foi tudo menos fácil.
A autora dá-nos a conhecer o dia-a-dia da protagonista, desde a ida à depilação, passando pela encomenda de uma pizza e a ida a uma loja de informática. São estes momentos, de interacção aparentemente simples entre pessoas, que nos permitem perceber a dificuldade de socialização de Eleanor. Ela diz tudo o que pensa, não se preocupa com a opinião dos outros em relação a si e vive num mundo completamente à parte, o que dificulta ainda mais a sua integração na sociedade. Foram momentos que, ao início, fizeram com que soltasse umas valentes gargalhadas, mas à medida que fui conhecendo melhor a personagem enchi-me de compaixão por ela. O equilíbrio existente entre os momentos cómicos e dramáticos foi um dos pontos mais positivos neste livro.
Um certo dia a vida de Eleanor sofre uma reviravolta quando, juntamente com um colega de trabalho, se vê na obrigação de ajudar um idoso na rua. A partir deste momento Eleanor não volta a estar sozinha e, com a devida ajuda, regressa ao seu passado para combater os fantasmas que a assombram. Afinal, qual terá sido a educação de Eleanor?

"Senti o calor onde a mão dele estivera; fora apenas um momento, mas deixara uma impressão quente, quase como se fosse visível. Pensei que a mão humana tinha exatamente o peso e a temperatura certa para tocar noutra pessoa. Já dera muitos apertos de mão ao longo dos anos - e em particular nos últimos tempos -, mas há uma vida que ninguém me tocava." (pág. 171)

Foi uma leitura maravilhosa, que me deu momentos de puro divertimento mas também me deixou de coração apertado. É impossível ficarmos indiferentes a Eleanor Oliphant e à sua história. Desengane-se quem pensa que este é um romance fofinho ou uma leitura leve porque é muito mais que isso. É um livro sobre solidão, inadaptação, resiliência, perdão e a descoberta da amizade. E se à primeira vista a protagonista parece uma mulher tonta e irritante, garanto-vos que vão mudar de opinião e ver a força que ela tem.
Este é um livro que vou querer reler e recomendo muito a sua leitura.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Wrap-up #MLOutonoInverno2017

                              

Olá livrólicos!
A Maratona Literária Outono-Inverno 2017 chegou ao fim no passado dia 15. Andei a adiar este post porque queria gravar um vídeo para o meu canal do booktube (algo de que tenho muitas saudades). Infelizmente, neste momento não tenho condições para gravar e editar os vídeos, pelo que as notícias que terão de mim serão pelo blog e pelo Instagram, pelo menos nos próximos tempos.

Falando da maratona... Esta é a terceira maratona organizada pela Roberta e pela Vera em que participo. Adoro os desafios que criam, gosto muito da interacção que existe entre as pessoas que estão a participar e gosto particularmente do tempo que temos para ler os livros. Estas maratonas de longa duração funcionam muito melhor para mim.
Nesta maratona consegui cumprir 15 desafios e li um total de 5563 páginas, por isso fiquei satisfeita com o meu desempenho 😊

Deixo-vos com o meu wrap-up:

Desafios gerais
1) Ler um livro que te faça, por algum motivo, lembrar a escola - Carry On (397 págs)
2) Ler um livro cuja capa tenha tons escuros - Noite (133 págs)
3) Ler um livro de contos - O Fantasma de Canterville e Outros Contos (95 págs)



4) Pedir a alguém para escolher um livro para leres - A Criança Roubada (147 págs) incompleto
5) Ler um livro que tenha uma adaptação cinematográfica (ou que vai ser adaptado para o cinema). Se possível vê o filme a seguir - A 5ª Vaga (396 págs e filme visto 😄)
6) Ler um livro que queiras acabar antes de 2017 terminar - This One Summer (319 págs)
7) Ler um livro que tenhas há mais de um ano na estante ou ler o último livro que compraste
8) Ler uma Graphic Novel, Banda Desenhada, Mangá - Blankets (582 págs)



9) Ler um livro escrito por alguém que admires - Perigo Irresistível (335 págs)
10) Ler um livro de não-ficção - O Diário de Anne Frank (BD)


5 desafios relacionados com o Halloween
1) Ler um livro de horror/terror - A Caixa em Forma de Coração (324 págs)
2) Ler um policial
3) Ler um livro cujo tamanho te assuste
4) Ler um livro cujo título esteja escrito a vermelho - The Shining (619 págs)
5) Ler um livro cujo nome do autor seja difícil de pronunciar


5 desafios relacionados com o Natal
1) O Natal é uma época bonita, onde o conforto é procurado especialmente devido ao frio que se sente lá fora. Lê um livro que achas que te possa trazer conforto. - Uma Melodia Inesperada (478 págs)
2) Ler um livro que te ofereceram num Natal ou que gostarias que te tivessem oferecido - Confia em Mim (752 págs)
3) Ler um livro que te faça lembrar a família - Mulherzinhas (285 págs)
4) Ler um livro com a cor branca na capa - Dezanove Minutos (532 págs)
5) Ler um livro com menos de 100 páginas


 

5 desafios extra Instagram/Facebook
1) Escrever a opinião de um dos livros que leste na maratona.
2) Desafio extra para o Halloween - Sair vestido como uma personagem de um livro que já leram. Tirar foto e postar.
3) Desafio extra para o Natal - Colocar o livro que andam a ler na árvore de Natal, como se fosse uma bola decorativa.
4) Falar da maratona e de um livro a alguém e tirar foto com essa pessoa.
5) Tirar uma foto de pijama/robe com o livro que estão a ler (+10 págs)



Fico à espera de uma próxima maratona 😁

sábado, 15 de abril de 2017

Resoluções para um novo ano

Não, não vou falar do que planeio fazer em 2017. Quem se segue no youtube (aqui) já percebeu que eu não estabeleço objetivos nas passagens de ano, mas sim nos meus aniversários.
No dia 12 de abril fiz 24 anos (já??!!) e resolvi criar algumas metas. Algumas são a nível mais pessoal (comer mais fruta e legumes, fazer exercício físico, não pensar tanto no futuro,,,) e outras estão relacionadas com livros e penso que são estas que vos podem interessar. Ou, pelo menos, quero partilhá-las convosco :)

A primeira é uma adoptada do blog da Cláudia, amulherqueamalivros, e consiste em comprar apenas um livro por cada cinco que lermos das nossas estantes (ver aqui).
Esta ideia surgiu após a minha estante nova ter chegado cá a casa. Resolvi seguir as indicações de algumas meninas e comecei a colocar na nova estante os livros que tinha por ler. Sempre disse que isto não era necessário porque eu conseguia gerir muito bem os meus livros e sabia quais é que tinha por ler. Ao começar a colocá-los na estante, pensei sempre que "apenas" iam ocupar umas 3 prateleiras. Estava tão enganada... Tenho muitos mais livros por ler do que aquilo que pensava porque acabaram por ocupar por completo a estante nova. Para ser mais exacta, são 92 livros. Como é que tenho 92 livros por ler na minha estante??
É por isso que delineei este objetivo e espero conseguir cumpri-lo. Agora, sempre que penso em comprar um livro, olho para a minha estante e consigo controlar-me. Em breve vai sair um vídeo onde pretendo mostrar-vos os livros que tenho por ler para vocês me darem sugestões sobre quais é que devo ler primeiro, quais é que vocês já leram, quais é que já ouviram falar... Assim é muito mais fácil para mim orientar-me!


O segundo objetivo passa por ler livros do Plano Nacional de Leitura. Para quem não sabe, estou a estudar para ser educadora de infância e, ao longo do estágio, tenho consultado várias vezes o PNL para saber que livros devo levar para as sessões. Acabo por ficar com vontade de levar quase todos! As capas são super giras e as histórias parecem ser mesmo fofas.
Para além dos livros para os mais pequeninos (que eu adorooo!), também consultei os livros sugeridos para os alunos do Secundário e para Formação de Adultos e parecem-me ser muito interessantes. Pretendo ir lendo os livros do PNL, mas sem pressões nem obrigações. Leio apenas os que quero e ao ritmo que quero e posso. Mas acho que vai ser algo que vou gostar de fazer.
Para me orientar, tenho passado para uma folha Excel os títulos dos livros que pretendo ler, bem como algumas informações que considero relevantes como a capa, o preço a que estão no mercado e se estão ou não disponíveis na biblioteca. Depois, vou colocando a verde os livros que já tenho na estante e a amarelo os que já li. Desta forma vou conseguindo gerir a lista de uma forma que, a meu ver, é bastante simples :)


Por fim, o terceiro objetivo que defini é aquele que já tinha definido há algum tempo mas que tenho tido dificuldade a cumpri-lo: estar mais presente no blog e no booktube. Mas enfim, o que importa é que ambos os espaços sirvam para uma pessoa relaxar e sentir-se bem, por isso vou estando ativa quando posso.

Como estão a correr as vossas resoluções literárias?
Beijinhos*

quarta-feira, 1 de março de 2017

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[OPINIÃO] - Os Livros Que Devoraram o Meu Pai


Título: Os Livros Que Devoraram o Meu Pai
Autor: Afonso Cruz
Editora: Editorial Caminho
Edição: Fevereiro de 2010
Páginas: 128
A minha classificação: 4/5★

Prémio Literário Maria Rosa Colaço 2009

Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o 3º ciclo, destinado a leitura autónoma. Também recomendado para a Formação de Adultos, como sugestão de leitura.







Sinopse:
Vivaldo Bonfim é um escriturário entediado que leva romances e novelas para a repartição de finanças onde está empregado. Um dia, enquanto finge trabalhar, perde-se na leitura e desaparece deste mundo. Esta é a sua verdadeira história — contada na primeira pessoa pelo filho, Elias Bonfim, que irá à procura do seu pai, percorrendo clássicos da literatura cheios de assassinos, paixões devastadoras, feras e outros perigos feitos de letras.

Opinião:
Depois de ter lido Para Onde Vão os Guarda-Chuvas, confesso que esta pequena história me desiludiu um pouco. Apesar de adorar e venerar a escrita do autor (meu Deus, como é que é possível alguém escrever assim??) senti que faltava algo à história. No entanto, não deixa de ser um bom livro.

Este é um livro curto, que se lê rapidamente, mas que nos deixa uma grande mensagem.
Fala-nos de Vivaldo Bonfim, um homem que tinha uma paixão por livros e até os levava para o seu emprego, nas Finanças. Certo dia, o homem acaba por entrar num livro - A Ilha do Dr. Moreau, de H. G. Wells - e fica literalmente perdido no mundo das histórias.
Ao completar 12 anos, Elias fica a saber o que aconteceu ao seu pai e parte numa busca frenética para o encontrar, começando pela biblioteca do seu pai, no sótão da casa da avó.

Esta história fala-nos da paixão pelos livros e do poder que estes têm sobre os leitores. Afonso Cruz conseguiu levar-me de volta à minha infância, quando passava o tempo noutros mundos e a conversar com as minhas personagens preferidas em vez de amigos imaginários. Continuo a fazê-lo, mas de forma mais discreta. 😂  Para mim esse é o verdadeiro sentido da leitura: toda a magia envolvente e a relação criada entre o leitor e os espaços/personagens. Se procuram um livro que vos fale sobre isso, este é um dos mais adequados.

"O meu pai só pensava em livros (livros e mais livros!), mas a vida não era da mesma opinião, a vida dele pensava noutras coisas, andava distraída, e ele teve de se empregar. A vida, muitas vezes, não tem consideração nenhuma por aquilo que gostamos."

É também um livro que nos fala sobre os primeiros amores, desilusões, saudade, a procura de respostas, o amor, o cuidado das avós, amizade e crueldade própria da infância/adolescência. Este é um livro juvenil, que faz parte do Plano Nacional de Leitura para o 7.º ano, mas penso que é preciso ter uma certa maturidade para o compreender e para o apreciar.
As personagens com que Elias, a personagem principal, se vai cruzando são de livros reais e isso deu-me mais vontade de os ler. São mencionados livros como Crime e Castigo e Fahrenheit 451.

Por fim, não posso deixar de mencionar mais uma vez a qualidade da escrita de Afonso Cruz. O autor escreve de uma forma mágica e linda. Pode parecer estranho qualificar a escrita de um livro como sendo lindo, mas é mesmo isso que sinto. Penso que a forma como Afonso Cruz combina as palavras é brilhante e de uma beleza única, chegando mesmo a fazer-me arrepiar uns pelinhos dos braços.

"Para uns, a raiz é a parte invisível que permite a árvore crescer. Para mim, a raiz é a parte invisível que a impede de voar como os pássaros. Na verdade, uma árvore é um pássaro falhado."

Um livro que merece ser lido, não só pelos que já têm uma paixão por livros mas também por aqueles que (pensam que) não gostam.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

[OPINIÃO] - Ratos e Homens





Título: Ratos e Homens
Autor: John Steinbeck
Editora: Edições Livros do Brasil
Edição: 1988
1.ª edição: 1937
Páginas: 99
A minha classificação: 5/5⭐











Sinopse:
"Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura.

Publicado em 1937, Ratos e Homens conta a história de dois pobres diabos, George e Lennie, que vivem de trabalhos episódicos e sonham com uma vida tranquila, com a hipótese de arranjar uma quinta em que possam dedicar-se à criação de coelhos. George é quem lidera, é aquele que toma as decisões e protege o seu amigo, sem no entanto deixar de depender da amizade e da força de Lennie. Este é um gigante simpático, dotado de um físico excepcional, mas mentalmente retardado. E ambos acabam por envolver-se em mil e uma complicações, quando, no rancho onde finalmente encontram trabalho, a mulher do patrão entra em cena... Adaptado ao teatro, e várias vezes ao cinema, Ratos e Homens, que na verdade constitui uma fábula sobre a amizade e o sonho americano, é uma obra-prima da literatura realista, e um dos mais importantes romances de John Steinbeck."



A ação desta história passa-se durante a Grande Depressão dos anos 30, na América. Conhecemos George e Lennie que procuram trabalho de quinta em quinta, permanecendo o tempo que podem. George é um homem inteligente e um sonhador com os pés assentes na terra. Já Lennie é um tipo alto e forte, capaz de carregar pesados fardos de feno, mas com um atraso no desenvolvimento ou, como George diz, "falta de inteligência". Os dois andam sempre juntos, pois George procura cuidar do amigo, apesar de por vezes se fartar das asneiras não intencionadas do colega. Para além disso, Lennie tem dificuldade em lembrar-se do que lhe é dito e não é capaz de detetar o perigo nem tem noção da sua força. Esta é a razão pela qual, no início do livro, os dois homens se encontram a caminho de outra quinta.

Li este livro para a maratona Carnaval-a-Thon e, se não fosse pela maratona, provavelmente nunca teria lido esta obra maravilhosa. Este é um livro bastante pequeno, mas com uma mensagem enorme e muito, muito poderosa. Foi uma leitura que me tirou o fôlego, pela história em si e pela escrita do autor. Steinbeck não escreve com floreados nem com grandes eufemismos. A escrita do autor é simples, realista e chega por vezes a ser mesmo dura. O autor utiliza também expressões próprias dos camponeses, o que fez com que me sentisse ainda mais dentro da ação. Só pela escrita do autor, o livro já merece ser lido.




Quanto à história, Steinbeck retrata uma forte amizade e lealdade entre as duas personagens principais. O modo como George cuidava de Lennie, mesmo quando este fazia asneiras, foi algo que me enterneceu e me deixou de lágrimas nos olhos. Lennie é uma criança em tamanho grande e, como tal, só quer ser protegido e amado, coisa que George faz da melhor forma que sabe.

Os momentos em que o meu coração mais se agitou com esta história foram aqueles em que Lennie pedia a George que lhe contasse como ia ser o futuro dos dois. Sim, porque estes homens tinham um sonho, o sonho de terem o seu próprio espaço onde viver e trabalhar e com coelhos para que Lennie pudesse cuidar deles. Esta esperança foi algo que marcou esta leitura e que me emocionou bastante.
À medida que lia o desenrolar da história temia que que algo acontecesse a estas personagens, pelas quais me apaixonei instantaneamente. Torci por elas, quis sempre que lhes acontecesse o melhor, sofri por elas. Nos dias de hoje ainda é difícil viver com algum tipo de transtorno psicológico ou cuidar de alguém com esse problema, mas nos anos 30 era muito mais difícil porque não existia praticamente nenhuma informação e essas pessoas eram vistas como anormais, como menos humanas e como bobos da corte que podiam ser maltratados.
Sofri com cada injustiça de que Lennie foi vítima e revoltei-me com aqueles que o faziam sentir-se inferior. E isto aconteceu porque Steinbeck criou personagens tão reais, com falas e com ideias tão próprias dos seres humanos (dos verdadeiros seres humanos) e com características tão deslumbrantes que me fez sentir protetora em relação a elas, como se realmente as conhecesse.

E o final... O final deixou-me sem palavras e de coração apertado. E fez-me pensar: "Conseguiria eu sofrer para salvar alguém que amo de sofrer?". Ainda estou a digerir esta leitura, a refletir sobre tudo o que me transmitiu e o Lennie ainda continua presente no meu pensamento (e penso que ainda lá irá permanecer por muito tempo).

É um livro que nos fala de amizade, de sonhos, de injustiça e de compaixão. Um livro que me deixou deslumbrada e rendida a Steinbeck.


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