terça-feira, 23 de janeiro de 2018

[OPINIÃO] - Noite

Título: Noite
Autor: Elie Wiesel
Editora: Texto Editores
Edição: Junho de 2012
ISBN: 9789724745244
Páginas: 136
A minha classificação: 5/5★

Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para apoio a projetos relacionados com a História Universal no Ensino Secundário.


SINOPSE
Nascido no seio de uma família judia na Roménia, Elie Wiesel era adolescente quando, juntamente com a família, foi empurrado para um vagão de carga e transportado, primeiro para o campo de extermínio, Auschwitz, e, depois, para Buchenwald. Este é o aterrador e íntimo relato do autor sobre os horrores que passou, a morte dos pais e da irmã de apenas oito anos, e da perda da inocência a mãos bárbaras. Descrevendo com grande eloquência o assassínio de um povo, do ponto de vista de um sobrevivente, Noite faz parte dos mais pessoais e comovedores relatos sobre o Holocausto, e oferece uma perspectiva rara ao lado mais negro da natureza humana.

OPINIÃO
Comecei a interessar-me por livros sobre a Segunda Guerra Mundial no ano passado, graças à Dora e à Sara. Antes disso só tinha lido O Diário de Anne Frank e, até hoje, considero que ainda li muito pouco sobre o assunto. Este é um tema que nunca se esgota; há sempre heróis para serem descobertos, horrores para serem relatados e vidas para serem choradas.
Imagino que seja difícil relatar tudo o que aconteceu, pois todas as palavras devem parecer insuficientes, mas Elie Wiesel (Prémio Nobel da Paz em 1986) conseguiu expressar toda a barbaridade a que assistiu e de que foi vítima em poucas páginas. É incrível como um livro tão curto nos consegue transmitir tanto.

Confesso que, ao início, a leitura não me estava a cativar tanto como queria. Penso que o principal motivo foi a questão religiosa, muito presente ao longo de todo o livro. No entanto, com o desenrolar da narrativa, percebemos que este é realmente um aspecto fulcral na vida do autor e achei incrível a forma como a perda da fé vai sendo relatada. Esse foi um dos pontos que tornou este livro diferente de todos os outros que já li sobre o tema.
Aquilo que, a meu ver, mais diferencia este livro em relação a outros é o facto de se encontrar escrito na primeira pessoa, não havendo qualquer tipo de ficção, mas sim um testemunho real, duro e implacável, de quem viveu aquele enorme pesadelo. É impressionante a forma como o autor nos fala sobre a morte, a miséria e o medo de uma forma tão poética. Ao longo do livro senti-me como se estivesse a ser embalada nas palavras de Wiesel mas, em vez de me acalmar, senti-me cada vez mais agitada e desgostosa.


Esta leitura foi mesmo um crescendo de emoções. Em grande parte, o que contribuiu para isso, foi o relato da relação do autor com o seu pai, o seu grande companheiro durante o tempo em cativeiro. A companhia um do outro foi o que lhes deu forças para continuarem e a preocupação que tinham um com o outro era enternecedora. É horrível percebermos que, apesar de todo o amor que Wiesel sentia pelo pai, houve momentos em que os campos de concentração quase lhe tiraram a humanidade. E foi mesmo esta relação entre pai e filho que mais me comoveu ao longo de todo o livro e também aquilo que me deixou com um grande nó no estômago.
É um livro incrível, que não deve deixar de ser lido.


Nota: Este é o primeiro livro de uma trilogia. Os outros dois livros são Amanhecer e Dia.

[OPINIÃO] - A Educação de Eleanor

educação_eleanor
Título: A Educação de Eleanor
Autor: Gail Honeyman
Editora: Porto Editora
Edição: Abril de 2017
ISBN: 978-972-0-04898-1
Páginas: 328
A minha classificação: 5/5★

SINOPSE
Eleanor Oliphant tem uma vida perfeitamente normal - ou assim quer acreditar. É uma mulher algo excêntrica e pouco dotada na arte da interação social, cuja vida solitária gira à volta de trabalho, vodca, refeições pré-cozinhadas e conversas telefónicas semanais com a mãe.

Porém, a rotina que tanto preza fica virada do avesso quando conhece Raymond - o técnico de informática do escritório onde trabalha, um homem trapalhão e com uma grande falta de maneiras - e ambos socorrem Sammy, um senhor de idade que perdeu os sentidos no meio da rua.
A amizade entre os três acaba por trazer mais pessoas à vida de Eleanor e alargar os seus horizontes. E, com a ajuda de Raymond, ela começa a enfrentar a verdade que manteve escondida de si própria, sobre a sua vida e o seu passado, num processo penoso mas que lhe permitirá por fim abrir o coração.


OPINIÃO
Assim que vi este livro fiquei com vontade de o ler, por várias razões. Primeiro, a capa captou logo a minha atenção pela sua beleza, depois porque fiquei intrigada ao ler a sinopse e, por fim, pelas inúmeras opiniões positivas que li e ouvi nas diversas redes sociais. Tinha quase a certeza de que ia ser uma boa leitura e não me enganei. Assim que comecei a ler, não consegui parar.
Eleanor tem 29 anos, vive sozinha e tem um trabalho estável. Ao que tudo indica tem uma vida perfeitamente normal e sente-se bem com o seu quotidiano (aliás, o título original do livro é Eleanor Oliphant is Completely Fine). Mas não é bem assim... A protagonista deste livro ora é invisível ora é motivo de riso no local onde trabalha, não tem amigos, os seus fins-de-semana são passados na companhia de vodka e o seu passado foi tudo menos fácil.
A autora dá-nos a conhecer o dia-a-dia da protagonista, desde a ida à depilação, passando pela encomenda de uma pizza e a ida a uma loja de informática. São estes momentos, de interacção aparentemente simples entre pessoas, que nos permitem perceber a dificuldade de socialização de Eleanor. Ela diz tudo o que pensa, não se preocupa com a opinião dos outros em relação a si e vive num mundo completamente à parte, o que dificulta ainda mais a sua integração na sociedade. Foram momentos que, ao início, fizeram com que soltasse umas valentes gargalhadas, mas à medida que fui conhecendo melhor a personagem enchi-me de compaixão por ela. O equilíbrio existente entre os momentos cómicos e dramáticos foi um dos pontos mais positivos neste livro.
Um certo dia a vida de Eleanor sofre uma reviravolta quando, juntamente com um colega de trabalho, se vê na obrigação de ajudar um idoso na rua. A partir deste momento Eleanor não volta a estar sozinha e, com a devida ajuda, regressa ao seu passado para combater os fantasmas que a assombram. Afinal, qual terá sido a educação de Eleanor?

"Senti o calor onde a mão dele estivera; fora apenas um momento, mas deixara uma impressão quente, quase como se fosse visível. Pensei que a mão humana tinha exatamente o peso e a temperatura certa para tocar noutra pessoa. Já dera muitos apertos de mão ao longo dos anos - e em particular nos últimos tempos -, mas há uma vida que ninguém me tocava." (pág. 171)

Foi uma leitura maravilhosa, que me deu momentos de puro divertimento mas também me deixou de coração apertado. É impossível ficarmos indiferentes a Eleanor Oliphant e à sua história. Desengane-se quem pensa que este é um romance fofinho ou uma leitura leve porque é muito mais que isso. É um livro sobre solidão, inadaptação, resiliência, perdão e a descoberta da amizade. E se à primeira vista a protagonista parece uma mulher tonta e irritante, garanto-vos que vão mudar de opinião e ver a força que ela tem.
Este é um livro que vou querer reler e recomendo muito a sua leitura.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Wrap-up #MLOutonoInverno2017

                              

Olá livrólicos!
A Maratona Literária Outono-Inverno 2017 chegou ao fim no passado dia 15. Andei a adiar este post porque queria gravar um vídeo para o meu canal do booktube (algo de que tenho muitas saudades). Infelizmente, neste momento não tenho condições para gravar e editar os vídeos, pelo que as notícias que terão de mim serão pelo blog e pelo Instagram, pelo menos nos próximos tempos.

Falando da maratona... Esta é a terceira maratona organizada pela Roberta e pela Vera em que participo. Adoro os desafios que criam, gosto muito da interacção que existe entre as pessoas que estão a participar e gosto particularmente do tempo que temos para ler os livros. Estas maratonas de longa duração funcionam muito melhor para mim.
Nesta maratona consegui cumprir 15 desafios e li um total de 5563 páginas, por isso fiquei satisfeita com o meu desempenho 😊

Deixo-vos com o meu wrap-up:

Desafios gerais
1) Ler um livro que te faça, por algum motivo, lembrar a escola - Carry On (397 págs)
2) Ler um livro cuja capa tenha tons escuros - Noite (133 págs)
3) Ler um livro de contos - O Fantasma de Canterville e Outros Contos (95 págs)



4) Pedir a alguém para escolher um livro para leres - A Criança Roubada (147 págs) incompleto
5) Ler um livro que tenha uma adaptação cinematográfica (ou que vai ser adaptado para o cinema). Se possível vê o filme a seguir - A 5ª Vaga (396 págs e filme visto 😄)
6) Ler um livro que queiras acabar antes de 2017 terminar - This One Summer (319 págs)
7) Ler um livro que tenhas há mais de um ano na estante ou ler o último livro que compraste
8) Ler uma Graphic Novel, Banda Desenhada, Mangá - Blankets (582 págs)



9) Ler um livro escrito por alguém que admires - Perigo Irresistível (335 págs)
10) Ler um livro de não-ficção - O Diário de Anne Frank (BD)


5 desafios relacionados com o Halloween
1) Ler um livro de horror/terror - A Caixa em Forma de Coração (324 págs)
2) Ler um policial
3) Ler um livro cujo tamanho te assuste
4) Ler um livro cujo título esteja escrito a vermelho - The Shining (619 págs)
5) Ler um livro cujo nome do autor seja difícil de pronunciar


5 desafios relacionados com o Natal
1) O Natal é uma época bonita, onde o conforto é procurado especialmente devido ao frio que se sente lá fora. Lê um livro que achas que te possa trazer conforto. - Uma Melodia Inesperada (478 págs)
2) Ler um livro que te ofereceram num Natal ou que gostarias que te tivessem oferecido - Confia em Mim (752 págs)
3) Ler um livro que te faça lembrar a família - Mulherzinhas (285 págs)
4) Ler um livro com a cor branca na capa - Dezanove Minutos (532 págs)
5) Ler um livro com menos de 100 páginas


 

5 desafios extra Instagram/Facebook
1) Escrever a opinião de um dos livros que leste na maratona.
2) Desafio extra para o Halloween - Sair vestido como uma personagem de um livro que já leram. Tirar foto e postar.
3) Desafio extra para o Natal - Colocar o livro que andam a ler na árvore de Natal, como se fosse uma bola decorativa.
4) Falar da maratona e de um livro a alguém e tirar foto com essa pessoa.
5) Tirar uma foto de pijama/robe com o livro que estão a ler (+10 págs)



Fico à espera de uma próxima maratona 😁

sábado, 15 de abril de 2017

Resoluções para um novo ano

Não, não vou falar do que planeio fazer em 2017. Quem se segue no youtube (aqui) já percebeu que eu não estabeleço objetivos nas passagens de ano, mas sim nos meus aniversários.
No dia 12 de abril fiz 24 anos (já??!!) e resolvi criar algumas metas. Algumas são a nível mais pessoal (comer mais fruta e legumes, fazer exercício físico, não pensar tanto no futuro,,,) e outras estão relacionadas com livros e penso que são estas que vos podem interessar. Ou, pelo menos, quero partilhá-las convosco :)

A primeira é uma adoptada do blog da Cláudia, amulherqueamalivros, e consiste em comprar apenas um livro por cada cinco que lermos das nossas estantes (ver aqui).
Esta ideia surgiu após a minha estante nova ter chegado cá a casa. Resolvi seguir as indicações de algumas meninas e comecei a colocar na nova estante os livros que tinha por ler. Sempre disse que isto não era necessário porque eu conseguia gerir muito bem os meus livros e sabia quais é que tinha por ler. Ao começar a colocá-los na estante, pensei sempre que "apenas" iam ocupar umas 3 prateleiras. Estava tão enganada... Tenho muitos mais livros por ler do que aquilo que pensava porque acabaram por ocupar por completo a estante nova. Para ser mais exacta, são 92 livros. Como é que tenho 92 livros por ler na minha estante??
É por isso que delineei este objetivo e espero conseguir cumpri-lo. Agora, sempre que penso em comprar um livro, olho para a minha estante e consigo controlar-me. Em breve vai sair um vídeo onde pretendo mostrar-vos os livros que tenho por ler para vocês me darem sugestões sobre quais é que devo ler primeiro, quais é que vocês já leram, quais é que já ouviram falar... Assim é muito mais fácil para mim orientar-me!


O segundo objetivo passa por ler livros do Plano Nacional de Leitura. Para quem não sabe, estou a estudar para ser educadora de infância e, ao longo do estágio, tenho consultado várias vezes o PNL para saber que livros devo levar para as sessões. Acabo por ficar com vontade de levar quase todos! As capas são super giras e as histórias parecem ser mesmo fofas.
Para além dos livros para os mais pequeninos (que eu adorooo!), também consultei os livros sugeridos para os alunos do Secundário e para Formação de Adultos e parecem-me ser muito interessantes. Pretendo ir lendo os livros do PNL, mas sem pressões nem obrigações. Leio apenas os que quero e ao ritmo que quero e posso. Mas acho que vai ser algo que vou gostar de fazer.
Para me orientar, tenho passado para uma folha Excel os títulos dos livros que pretendo ler, bem como algumas informações que considero relevantes como a capa, o preço a que estão no mercado e se estão ou não disponíveis na biblioteca. Depois, vou colocando a verde os livros que já tenho na estante e a amarelo os que já li. Desta forma vou conseguindo gerir a lista de uma forma que, a meu ver, é bastante simples :)


Por fim, o terceiro objetivo que defini é aquele que já tinha definido há algum tempo mas que tenho tido dificuldade a cumpri-lo: estar mais presente no blog e no booktube. Mas enfim, o que importa é que ambos os espaços sirvam para uma pessoa relaxar e sentir-se bem, por isso vou estando ativa quando posso.

Como estão a correr as vossas resoluções literárias?
Beijinhos*

quarta-feira, 1 de março de 2017

Resultado de imagem para hello march books

[OPINIÃO] - Os Livros Que Devoraram o Meu Pai


Título: Os Livros Que Devoraram o Meu Pai
Autor: Afonso Cruz
Editora: Editorial Caminho
Edição: Fevereiro de 2010
Páginas: 128
A minha classificação: 4/5★

Prémio Literário Maria Rosa Colaço 2009

Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o 3º ciclo, destinado a leitura autónoma. Também recomendado para a Formação de Adultos, como sugestão de leitura.







Sinopse:
Vivaldo Bonfim é um escriturário entediado que leva romances e novelas para a repartição de finanças onde está empregado. Um dia, enquanto finge trabalhar, perde-se na leitura e desaparece deste mundo. Esta é a sua verdadeira história — contada na primeira pessoa pelo filho, Elias Bonfim, que irá à procura do seu pai, percorrendo clássicos da literatura cheios de assassinos, paixões devastadoras, feras e outros perigos feitos de letras.

Opinião:
Depois de ter lido Para Onde Vão os Guarda-Chuvas, confesso que esta pequena história me desiludiu um pouco. Apesar de adorar e venerar a escrita do autor (meu Deus, como é que é possível alguém escrever assim??) senti que faltava algo à história. No entanto, não deixa de ser um bom livro.

Este é um livro curto, que se lê rapidamente, mas que nos deixa uma grande mensagem.
Fala-nos de Vivaldo Bonfim, um homem que tinha uma paixão por livros e até os levava para o seu emprego, nas Finanças. Certo dia, o homem acaba por entrar num livro - A Ilha do Dr. Moreau, de H. G. Wells - e fica literalmente perdido no mundo das histórias.
Ao completar 12 anos, Elias fica a saber o que aconteceu ao seu pai e parte numa busca frenética para o encontrar, começando pela biblioteca do seu pai, no sótão da casa da avó.

Esta história fala-nos da paixão pelos livros e do poder que estes têm sobre os leitores. Afonso Cruz conseguiu levar-me de volta à minha infância, quando passava o tempo noutros mundos e a conversar com as minhas personagens preferidas em vez de amigos imaginários. Continuo a fazê-lo, mas de forma mais discreta. 😂  Para mim esse é o verdadeiro sentido da leitura: toda a magia envolvente e a relação criada entre o leitor e os espaços/personagens. Se procuram um livro que vos fale sobre isso, este é um dos mais adequados.

"O meu pai só pensava em livros (livros e mais livros!), mas a vida não era da mesma opinião, a vida dele pensava noutras coisas, andava distraída, e ele teve de se empregar. A vida, muitas vezes, não tem consideração nenhuma por aquilo que gostamos."

É também um livro que nos fala sobre os primeiros amores, desilusões, saudade, a procura de respostas, o amor, o cuidado das avós, amizade e crueldade própria da infância/adolescência. Este é um livro juvenil, que faz parte do Plano Nacional de Leitura para o 7.º ano, mas penso que é preciso ter uma certa maturidade para o compreender e para o apreciar.
As personagens com que Elias, a personagem principal, se vai cruzando são de livros reais e isso deu-me mais vontade de os ler. São mencionados livros como Crime e Castigo e Fahrenheit 451.

Por fim, não posso deixar de mencionar mais uma vez a qualidade da escrita de Afonso Cruz. O autor escreve de uma forma mágica e linda. Pode parecer estranho qualificar a escrita de um livro como sendo lindo, mas é mesmo isso que sinto. Penso que a forma como Afonso Cruz combina as palavras é brilhante e de uma beleza única, chegando mesmo a fazer-me arrepiar uns pelinhos dos braços.

"Para uns, a raiz é a parte invisível que permite a árvore crescer. Para mim, a raiz é a parte invisível que a impede de voar como os pássaros. Na verdade, uma árvore é um pássaro falhado."

Um livro que merece ser lido, não só pelos que já têm uma paixão por livros mas também por aqueles que (pensam que) não gostam.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

[OPINIÃO] - Ratos e Homens





Título: Ratos e Homens
Autor: John Steinbeck
Editora: Edições Livros do Brasil
Edição: 1988
1.ª edição: 1937
Páginas: 99
A minha classificação: 5/5⭐











Sinopse:
"Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura.

Publicado em 1937, Ratos e Homens conta a história de dois pobres diabos, George e Lennie, que vivem de trabalhos episódicos e sonham com uma vida tranquila, com a hipótese de arranjar uma quinta em que possam dedicar-se à criação de coelhos. George é quem lidera, é aquele que toma as decisões e protege o seu amigo, sem no entanto deixar de depender da amizade e da força de Lennie. Este é um gigante simpático, dotado de um físico excepcional, mas mentalmente retardado. E ambos acabam por envolver-se em mil e uma complicações, quando, no rancho onde finalmente encontram trabalho, a mulher do patrão entra em cena... Adaptado ao teatro, e várias vezes ao cinema, Ratos e Homens, que na verdade constitui uma fábula sobre a amizade e o sonho americano, é uma obra-prima da literatura realista, e um dos mais importantes romances de John Steinbeck."



A ação desta história passa-se durante a Grande Depressão dos anos 30, na América. Conhecemos George e Lennie que procuram trabalho de quinta em quinta, permanecendo o tempo que podem. George é um homem inteligente e um sonhador com os pés assentes na terra. Já Lennie é um tipo alto e forte, capaz de carregar pesados fardos de feno, mas com um atraso no desenvolvimento ou, como George diz, "falta de inteligência". Os dois andam sempre juntos, pois George procura cuidar do amigo, apesar de por vezes se fartar das asneiras não intencionadas do colega. Para além disso, Lennie tem dificuldade em lembrar-se do que lhe é dito e não é capaz de detetar o perigo nem tem noção da sua força. Esta é a razão pela qual, no início do livro, os dois homens se encontram a caminho de outra quinta.

Li este livro para a maratona Carnaval-a-Thon e, se não fosse pela maratona, provavelmente nunca teria lido esta obra maravilhosa. Este é um livro bastante pequeno, mas com uma mensagem enorme e muito, muito poderosa. Foi uma leitura que me tirou o fôlego, pela história em si e pela escrita do autor. Steinbeck não escreve com floreados nem com grandes eufemismos. A escrita do autor é simples, realista e chega por vezes a ser mesmo dura. O autor utiliza também expressões próprias dos camponeses, o que fez com que me sentisse ainda mais dentro da ação. Só pela escrita do autor, o livro já merece ser lido.




Quanto à história, Steinbeck retrata uma forte amizade e lealdade entre as duas personagens principais. O modo como George cuidava de Lennie, mesmo quando este fazia asneiras, foi algo que me enterneceu e me deixou de lágrimas nos olhos. Lennie é uma criança em tamanho grande e, como tal, só quer ser protegido e amado, coisa que George faz da melhor forma que sabe.

Os momentos em que o meu coração mais se agitou com esta história foram aqueles em que Lennie pedia a George que lhe contasse como ia ser o futuro dos dois. Sim, porque estes homens tinham um sonho, o sonho de terem o seu próprio espaço onde viver e trabalhar e com coelhos para que Lennie pudesse cuidar deles. Esta esperança foi algo que marcou esta leitura e que me emocionou bastante.
À medida que lia o desenrolar da história temia que que algo acontecesse a estas personagens, pelas quais me apaixonei instantaneamente. Torci por elas, quis sempre que lhes acontecesse o melhor, sofri por elas. Nos dias de hoje ainda é difícil viver com algum tipo de transtorno psicológico ou cuidar de alguém com esse problema, mas nos anos 30 era muito mais difícil porque não existia praticamente nenhuma informação e essas pessoas eram vistas como anormais, como menos humanas e como bobos da corte que podiam ser maltratados.
Sofri com cada injustiça de que Lennie foi vítima e revoltei-me com aqueles que o faziam sentir-se inferior. E isto aconteceu porque Steinbeck criou personagens tão reais, com falas e com ideias tão próprias dos seres humanos (dos verdadeiros seres humanos) e com características tão deslumbrantes que me fez sentir protetora em relação a elas, como se realmente as conhecesse.

E o final... O final deixou-me sem palavras e de coração apertado. E fez-me pensar: "Conseguiria eu sofrer para salvar alguém que amo de sofrer?". Ainda estou a digerir esta leitura, a refletir sobre tudo o que me transmitiu e o Lennie ainda continua presente no meu pensamento (e penso que ainda lá irá permanecer por muito tempo).

É um livro que nos fala de amizade, de sonhos, de injustiça e de compaixão. Um livro que me deixou deslumbrada e rendida a Steinbeck.


O regresso?

Olá!

Ao longo dos últimos dias tenho andado a pensar em voltar ao blog. Primeiro porque nem sempre tenho disponibilidade para gravar os vídeos para o Youtube e depois porque gosto bastante de procurar informações e opiniões em blogs. Por isso, talvez esteja de volta mas não sei com que frequência vou conseguir postar nem sei ao certo qual será o conteúdo dos meus posts. Penso que vou falar do que me apetecer no momento, desde opiniões a novidades literárias e também algumas tags. Sempre que possível irei continuar a publicar vídeos no Youtube porque é um mundo que adoro!
Basicamente, quero estar o mais possível dentro do universo dos livros :)

Este mês foi bastante produtivo. Consegui ler 6 livros e quase de certeza que termino hoje o sétimo. Para além disso, avancei na leitura de Nossa Senhora de Paris, livro que estou a ler em conjunto com a Mafalda (Blog da Mafalda).



Participei em duas maratonas espetaculares: Reading About Reality e Carnaval-a-Thon.

A primeira, #readingareality foi organizada pela Sara Cristina (Canal da Sara) e pela Alexandra (Canal da Alexandra)e tinha como objetivo lermos sobre os problemas que afetam o nosso mundo. De seguida mostro-vos quais eram as categorias e quais os livros que li:
1) Lê um livro que inclua desigualdades dos direitos humanos
Comecei a ler The Secret Life of Bees, de Sue Monk Kidd, mas não terminei :/
2) Lê um livro que inclua um exemplo do impacto do ser humano na natureza
Comecei a ler Mundo Selvagem, de Steven Gould, mas ainda não terminei. Estou neste momento na página 60 e está a ser uma leitura agradável.
3) Lê um livro sobre alguém que mudou/revolucionou a maneira de pensar do mundo
Li Eu, Malala, de Malala Yousafzai. Gostei bastante e dei-lhe 4⭐
4) Lê um livro sobre uma personagem que tem algum tipo de transtorno psicológico/necessidades educativas especiais
Li Olha-me nos Olhos, John Elder Robinson. Apesar de achar a história importante, não gostei da forma como o livro estava escrito. Dei-lhe 2⭐

A #carnavalathon também tinha 4 desafios e consegui cumpri-los a todos 😃
1) Lê um livro cuja ação se passe no país de origem do teu nome.
O meu nome é Bárbara e tem origem grega. Um dos livros que já tinha na minha estante há um ano era A Ilha, de Victoria Hislop. Adorei este livro, a história, as personagens, as tradições gregas,... Dei-lhe 4,5⭐
2) Lê o livro Ratos e Homens, de John Steinbeck
Ainda bem que este era um dos desafios para esta maratona. Nunca tinha ouvido falar desta obra e fiquei deslumbrada. A escrita de Steinbeck é fabulosa, a história é maravilhosa e faz-nos refletir sobre vários assuntos. Adorei e foi a melhor leitura de fevereiro! Dei-lhe 5⭐
3)Escolhe um livro cujo tema (por qualquer motivo) te faça lembrar o Carnaval
À primeira vista não tinha nenhum livro que me fizesse lembrar o Carnaval, mas a Filipa deu algumas dicas e disse que podíamos escolher pela cor, pela capa, por ser uma crítica,... Enfim, vendo bem havia muitos livros que podiam ser incluídos neste desafio. Acabei por escolher Os Livros Que Devoraram o Meu Pai, de Afonso Cruz. Depois de ler Para Onde Vão os Guarda-Chuvas e ter adorado, resolvi ler mais uma obra do autor. Gostei, apesar de não me ter deslumbrado como o primeiro. Dei-lhe 4⭐
4) Desafio do Joker
Para este desafio tínhamos de escolher 5 livros que queríamos muito ler, pegar em 5 cartas sendo que uma devia ser o Joker, baralhá-las e colocar uma por cima de cada livro. O livro que tivesse o Joker era o livro que devíamos ler. A mim calhou-me Mary Poppins e foi um livro que me desiludiu um pouco. Para mim, a Mary Poppins é um ser mágico e que transmite alegria às crianças. No livro, Poppins é uma pessoa fria e tem uma forma estranha de mostrar às crianças que gosta delas. Enfim, dei-lhe 3⭐ e fiquei com vontade de rever o filme para confirmar a minha ideia.

E foram estas as leituras que realizei este mês. E o vosso mês, foi bom? 😊

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Livros lidos em 2016



As avaliações dos livros estão disponíveis na minha página do Goodreads: https://www.goodreads.com/thelifeofabookcatcher

quinta-feira, 30 de junho de 2016

#MLVERÃO2016 - Eu Dou-te o Sol [OPINIÃO]


Para a categoria 13 da Maratona Literária de Verão - ler um livro com a cor amarela ou laranja na capa - optei por Eu Dou-te o Sol. Este era um livro que já me despertava a curiosidade desde janeiro, altura em que criei o Instagram literário, porque só ouvia boas opiniões acerca dele e todos os dias o via em alguma foto. Há umas semanas fui à feira do livro em Aveiro, vi-o por lá e tive de o trazer.


Título: Eu Dou-te o Sol
Autor: Jandy Nelson
Editora: Editorial Presença
Edição: 2015
Páginas: 336
ISBN: 9789722355858
P.V.P.: 16,90€
A minha classificação: 4/5








Sinopse: "Jude e o seu irmão gémeo Noah são inseparáveis. Aos 13 anos, Noah é um jovem tímido e solitário que adora desenhar. Jude, pelo contrário, é extrovertida, tagarela e sociável. Três anos mais tarde, tudo se altera. Jude e Noah mal falam um com o outro. Um trágico acontecimento afetou os gémeos de forma dramática… Até que Jude conhece Guillermo Garcia na Escola das Artes, um escultor ousado e bem-parecido que vai ter um papel determinante na vida dos irmãos. O que os gémeos não sabem é que cada um deles conhece somente metade da história das suas vidas e, se conseguirem reaproximar-se, terão a oportunidade de reconstruir o seu mundo. Este livro fulgurante da aclamada e premiada autora, Jandy Nelson, deixará o leitor sem fôlego, com lágrimas nos olhos e um sorriso nos lábios… tudo ao mesmo tempo."


Foi um livro que não me cativou desde o início. Na verdade, estava a ficar bastante desiludida até passar as primeiras 100 páginas. Depois disso, comecei a gostar e a querer saber mais e mais.

Em Eu Dou-te o Sol conhecemos os gémeos Jude e Noah, que para além de irmãos são companheiros, amigos inseparáveis e a metade um do outro. Na verdade, são mais do que metade porque conseguem sentir o que o outro sente e pensar o que o outro pensa. Têm uma relação maravilhosa, mas que acaba por se degradar devido aos ciúmes e, mais tarde, devido a um acontecimento terrível. Os irmãos terão de vencer o orgulho e unirem-se para entender o passado. O livro é narrado no passado por Noah e no presente por Jude, o que nos dá a perspetiva das duas personagens.

Não foi nada do que estava à espera. Pensei que fosse uma história muito mais leve e de fácil leitura, mas não. Este livro aborda temas difíceis e profundos, como a morte, a homossexualidade, a mentira, o perdão, a inveja e o amor entre irmãos. Não tenho nenhum irmão gémeo, mas tenho um irmão pouco mais novo do qual sou muito próxima e pelo qual viraria o mundo se fosse preciso. Por isso esta história acabou por me marcar muito, porque muitas vezes conseguia sentir aquele amor entre irmãos que não se consegue explicar, apenas viver.

No início não estava a gostar de todas as referências relativas a pintores, a obras e a arte porque nunca foi um universo que me fascinasse. Acho maravilhoso o talento que algumas pessoas possuem para o desenho (e quem me dera ter um décimo de alguns talentos), mas nunca fui uma pessoa que gostasse de visitar galerias de arte ou que ficasse maravilhada por um quadro. Até ao momento, simplesmente não aconteceu. Por isso não conhecia nem percebia muitas das referências, o que me obrigou a fazer algumas pesquisas no Google durante a leitura do livro. Mas depois acabei por gostar bastante do esforço e dedicação dos irmãos pela arte e dei por mim a querer saber o que é que eles iam desenhar/esculpir a seguir.

Adorei o Guillermo Garcia e a relação que conseguiu estabelecer com a Jude e com o Oscar. E também gostei bastante de conhecer o quarto do Oscar. Apesar de ter embirrado com a presença da avó Sweetwine no princípio do livro, a verdade é que me diverti imenso com algumas passagens da Bíblia e houve outras que me tocaram e que me emocionaram. Afinal, como já disse, não tenho nenhum gémeo mas tenho um irmão de quem sou muito próxima.



Foi um livro que me tocou e que vou querer reler, sem dúvida.

#MLVERÃO2016 - O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares [OPINIÃO]



Título: O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares
Autor: Ransom Riggs
Editora: Edições Contraponto
Edição: 2012
Páginas: 344
ISBN: 9789896661281
P.V.P.: 17,70€
A minha classificação: 4/5








Sinopse: "Uma ilha misteriosa. Uma casa abandonada. Uma estranha coleção de fotografias peculiares. 

Uma terrível tragédia familiar leva Jacob, um jovem de dezasseis anos, a uma ilha remota na costa do País de Gales, onde vai encontrar as ruínas do lar para crianças peculiares, criado pela senhora Peregrine.

Ao explorar os quartos e corredores abandonados, apercebe-se de que as crianças do lar eram mais do que apenas peculiares; podiam também ser perigosas. É possível que tenham sido mantidas enclausuradas numa ilha quase deserta por um bom motivo. E, por incrível que pareça, podem ainda estar vivas...Um romance arrepiante, ilustrado com fantasmagóricas fotografias vintage, que fará as delícias de adultos, jovens e todos aqueles que apreciam o suspense."



Confesso que comprei este livro pela capa e também porque toda a gente andava a falar nele. Pensei que ia ser uma história de terror, com crianças-fantasmas a atormentar alguém. Mas não, não é nada disso.



Este livro faz-nos entrar num universo fantástico (ou devo dizer peculiar?), através dos olhos de um rapaz de 16 anos que perdeu recentemente o seu grande herói: o avô. Desde sempre que Jacob se habituou a ouvir o avô falar sobre a sua infância passada num orfanato que se situava numa pequena ilha no País de Gales. Quando era pequeno, Jacob sempre achou fantásticas as histórias das crianças que viviam com o seu avô , mas à medida que cresce acaba por pensar que tudo não pensava de uma invenção do idoso. Mas será mesmo assim? Disposto a desvendar a morte do avô e seguindo as suas últimas palavras, Jacob viaja com o pai para a tal ilha, em busca do orfanato da Senhora Peregrine. Mas o que ele não esperava era sentir-se em casa num mundo que lhe é tão estranho.



Não sei bem do que estava à espera quando comecei a ler esta história, mas conseguiu surpreender-me de alguma maneira. Gostei da escrita do autor e da forma como nos descreveu o ambiente, a ilha e o orfanato. Sem muitos detalhes, mas os suficientes para criarmos uma ideia. Sem dúvida que o meu capítulo preferido é aquele em que Jacob conhece todas as crianças. E por alguma razão que não sei bem explicar, deixei-me enternecer pela Olive e por toda a leveza ligada a esta personagem. E nem vou falar das imagens maravilhosas que surgem pelo meio do livro. Adorei!



Tal como na história nem tudo é o que parece, também este livro revelou ser algo que à primeira vista não parecia ser. Gostei bastante e espero ler o próximo muito em breve.

Partilhar