quinta-feira, 30 de junho de 2016

#MLVERÃO2016 - Eu Dou-te o Sol [OPINIÃO]


Para a categoria 13 da Maratona Literária de Verão - ler um livro com a cor amarela ou laranja na capa - optei por Eu Dou-te o Sol. Este era um livro que já me despertava a curiosidade desde janeiro, altura em que criei o Instagram literário, porque só ouvia boas opiniões acerca dele e todos os dias o via em alguma foto. Há umas semanas fui à feira do livro em Aveiro, vi-o por lá e tive de o trazer.


Título: Eu Dou-te o Sol
Autor: Jandy Nelson
Editora: Editorial Presença
Edição: 2015
Páginas: 336
ISBN: 9789722355858
P.V.P.: 16,90€
A minha classificação: 4/5








Sinopse: "Jude e o seu irmão gémeo Noah são inseparáveis. Aos 13 anos, Noah é um jovem tímido e solitário que adora desenhar. Jude, pelo contrário, é extrovertida, tagarela e sociável. Três anos mais tarde, tudo se altera. Jude e Noah mal falam um com o outro. Um trágico acontecimento afetou os gémeos de forma dramática… Até que Jude conhece Guillermo Garcia na Escola das Artes, um escultor ousado e bem-parecido que vai ter um papel determinante na vida dos irmãos. O que os gémeos não sabem é que cada um deles conhece somente metade da história das suas vidas e, se conseguirem reaproximar-se, terão a oportunidade de reconstruir o seu mundo. Este livro fulgurante da aclamada e premiada autora, Jandy Nelson, deixará o leitor sem fôlego, com lágrimas nos olhos e um sorriso nos lábios… tudo ao mesmo tempo."


Foi um livro que não me cativou desde o início. Na verdade, estava a ficar bastante desiludida até passar as primeiras 100 páginas. Depois disso, comecei a gostar e a querer saber mais e mais.

Em Eu Dou-te o Sol conhecemos os gémeos Jude e Noah, que para além de irmãos são companheiros, amigos inseparáveis e a metade um do outro. Na verdade, são mais do que metade porque conseguem sentir o que o outro sente e pensar o que o outro pensa. Têm uma relação maravilhosa, mas que acaba por se degradar devido aos ciúmes e, mais tarde, devido a um acontecimento terrível. Os irmãos terão de vencer o orgulho e unirem-se para entender o passado. O livro é narrado no passado por Noah e no presente por Jude, o que nos dá a perspetiva das duas personagens.

Não foi nada do que estava à espera. Pensei que fosse uma história muito mais leve e de fácil leitura, mas não. Este livro aborda temas difíceis e profundos, como a morte, a homossexualidade, a mentira, o perdão, a inveja e o amor entre irmãos. Não tenho nenhum irmão gémeo, mas tenho um irmão pouco mais novo do qual sou muito próxima e pelo qual viraria o mundo se fosse preciso. Por isso esta história acabou por me marcar muito, porque muitas vezes conseguia sentir aquele amor entre irmãos que não se consegue explicar, apenas viver.

No início não estava a gostar de todas as referências relativas a pintores, a obras e a arte porque nunca foi um universo que me fascinasse. Acho maravilhoso o talento que algumas pessoas possuem para o desenho (e quem me dera ter um décimo de alguns talentos), mas nunca fui uma pessoa que gostasse de visitar galerias de arte ou que ficasse maravilhada por um quadro. Até ao momento, simplesmente não aconteceu. Por isso não conhecia nem percebia muitas das referências, o que me obrigou a fazer algumas pesquisas no Google durante a leitura do livro. Mas depois acabei por gostar bastante do esforço e dedicação dos irmãos pela arte e dei por mim a querer saber o que é que eles iam desenhar/esculpir a seguir.

Adorei o Guillermo Garcia e a relação que conseguiu estabelecer com a Jude e com o Oscar. E também gostei bastante de conhecer o quarto do Oscar. Apesar de ter embirrado com a presença da avó Sweetwine no princípio do livro, a verdade é que me diverti imenso com algumas passagens da Bíblia e houve outras que me tocaram e que me emocionaram. Afinal, como já disse, não tenho nenhum gémeo mas tenho um irmão de quem sou muito próxima.



Foi um livro que me tocou e que vou querer reler, sem dúvida.

#MLVERÃO2016 - O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares [OPINIÃO]



Título: O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares
Autor: Ransom Riggs
Editora: Edições Contraponto
Edição: 2012
Páginas: 344
ISBN: 9789896661281
P.V.P.: 17,70€
A minha classificação: 4/5








Sinopse: "Uma ilha misteriosa. Uma casa abandonada. Uma estranha coleção de fotografias peculiares. 

Uma terrível tragédia familiar leva Jacob, um jovem de dezasseis anos, a uma ilha remota na costa do País de Gales, onde vai encontrar as ruínas do lar para crianças peculiares, criado pela senhora Peregrine.

Ao explorar os quartos e corredores abandonados, apercebe-se de que as crianças do lar eram mais do que apenas peculiares; podiam também ser perigosas. É possível que tenham sido mantidas enclausuradas numa ilha quase deserta por um bom motivo. E, por incrível que pareça, podem ainda estar vivas...Um romance arrepiante, ilustrado com fantasmagóricas fotografias vintage, que fará as delícias de adultos, jovens e todos aqueles que apreciam o suspense."



Confesso que comprei este livro pela capa e também porque toda a gente andava a falar nele. Pensei que ia ser uma história de terror, com crianças-fantasmas a atormentar alguém. Mas não, não é nada disso.



Este livro faz-nos entrar num universo fantástico (ou devo dizer peculiar?), através dos olhos de um rapaz de 16 anos que perdeu recentemente o seu grande herói: o avô. Desde sempre que Jacob se habituou a ouvir o avô falar sobre a sua infância passada num orfanato que se situava numa pequena ilha no País de Gales. Quando era pequeno, Jacob sempre achou fantásticas as histórias das crianças que viviam com o seu avô , mas à medida que cresce acaba por pensar que tudo não pensava de uma invenção do idoso. Mas será mesmo assim? Disposto a desvendar a morte do avô e seguindo as suas últimas palavras, Jacob viaja com o pai para a tal ilha, em busca do orfanato da Senhora Peregrine. Mas o que ele não esperava era sentir-se em casa num mundo que lhe é tão estranho.



Não sei bem do que estava à espera quando comecei a ler esta história, mas conseguiu surpreender-me de alguma maneira. Gostei da escrita do autor e da forma como nos descreveu o ambiente, a ilha e o orfanato. Sem muitos detalhes, mas os suficientes para criarmos uma ideia. Sem dúvida que o meu capítulo preferido é aquele em que Jacob conhece todas as crianças. E por alguma razão que não sei bem explicar, deixei-me enternecer pela Olive e por toda a leveza ligada a esta personagem. E nem vou falar das imagens maravilhosas que surgem pelo meio do livro. Adorei!



Tal como na história nem tudo é o que parece, também este livro revelou ser algo que à primeira vista não parecia ser. Gostei bastante e espero ler o próximo muito em breve.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

[OPINIÃO] - Viver Depois de Ti


Título: Viver Depois de Ti
Autor: Jojo Moyes
1ª Edição: 2013
Editora: Porto Editora
Edição: 2016
Páginas: 424
ISBN: 9789720045775
P.V.P.: 17,70€
A minha classificação: 5/5



Sinopse: "Louisa Clark é uma jovem com uma vida banal - um namorado estável, trabalhador e uma família unida - que nunca saiu da aldeia onde sempre viveu. Quando fica desempregada, vê-se obrigada a aceitar um emprego em casa de Will Traynor, que vive preso a uma cadeira de rodas, depois de um acidente. Ele sempre tinha vivido de um modo trepidante - grandes negócios, desportos radicais, viajante incansável - agora tudo isso ficou para trás. 


Will é mordaz, temperamental e autoritário, mas Lou recusa tratá-lo com complacência e em breve a felicidade e o bem-estar dele tornam-se muito mais importantes do que ela esperaria. No entanto, quando Lou descobre que Will tem planos inconfessáveis para a sua vida, ela luta para lhe mostrar que ainda assim vale a pena viver. 

Em Viver depois de ti, Jojo Moyes aborda um tema difícil e controverso, com sensibilidade, obrigando-nos a refletir sobre o direito à liberdade de escolha e as suas consequências."




Bem, que livro!! Em Viver Depois de Ti conhecemos Louisa Clark, uma jovem que vive com os pais, o avô, a irmã e o sobrinho e cuja família vive com dificuldades financeiras. Numa das entrevistas no Centro de Emprego, é-lhe dito que estão à procura de alguém que cuide de um tetraplégico numa casa não muito longe da sua. O ordenado é muito bom e assim Louisa poderá ajudar a família, por isso acaba por aceitar. Mas nada a prepara para o que a encontra em casa dos Traynor. O tetraplégico de quem vai cuidar não é nenhum idoso, não é alguém que tem idade para ser seu pai, mas sim um rapaz na casa dos 30 anos. Will é orgulhoso, teimoso e bastante temperamental, o que dificulta a vida de Louisa. No entanto, apesar da diferença de feitios, acabam por criar uma relação de confiança e de amizade que enternece qualquer um. E apesar de ser Will quem se encontra preso a uma cadeira de rodas, pode ser ele a ensinar Louisa a viver.



Confesso que estive a todo o momento à espera de romper em lágrimas por tudo aquilo que já tinha ouvido falar sobre este livro. Mais do que lágrimas, muitas lágrimas, este livro fez-me pensar muito sobre a importância e a fragilidade da vida humana, sobre a minha opinião relativa ao tema que é abordado no livro e sobre os juízos de valor que fazemos das pessoas sem as conhecermos.

Com este livro comecei a pensar muito mais na forma como vemos os outros. É claro que eu já o fazia. Desde pequena que tenho o cuidado de não julgar os outros sem conhecer a sua história e nunca gostei de olhares de pena. Todas as pessoas têm as suas fraquezas e as suas forças, e as pessoas portadoras de deficiência não são diferentes. E é claro que todos sabemos como deve ser difícil viver numa cadeira de rodas e dependente de outros para o resto da vida. Ou pelo menos eu pensava que sabia... Mas este livro, a vida do Will, fez com que tivesse uma visão ainda mais profunda sobre as dificuldades sentidas por um tetraplégico e um vislumbre dos seus pensamentos. Eu sei que todas as pessoas têm pensamentos diferentes e formas diferentes de lidar com as adversidades, mas é claro que há ideias e sentimentos comuns. Coisas que se calhar nem nos passam pela cabeça.

Fiquei completamente rendida ao Will, ao seu humor, à sua força, à sua fraqueza, ao seu coração. Fiquei rendida ao seu sorriso mesmo sem nunca o ter visto (não, nem sequer vi o trailer do filme antes de ler o livro). Coloquei-me várias vezes no papel da Louisa e em certas alturas, mesmo quando não estava a ler, transportava comigo o peso que ela própria sentia. Foi um livro encantador e, ao mesmo tempo, sufocante. Diverti-me também bastante com o Nathan e com o pai da Louisa e fiquei com o coração apertadinho na corrida de cavalos e aquando da decisão do Will. E depois houve tantos momentos mágicos, como o aniversário da Louisa e outros tantos que não quero estar aqui a revelar. Leiam este livro! A sério, leiam mesmo porque é lindo!!



Podia estar uma eternidade a falar sobre este livro e sobre tudo aquilo que ele aborda, mas não quero estar para aqui com spoilers. Mas quem já o tiver lido e quiser falar comigo sobre ele, está à vontade para o fazer pelo mail ou pelo Instagram :)

E para melhorar ainda mais (espero eu!) a experiência de quem já leu este livro maravilhoso, no dia 11 de agosto deste ano vai estrear o filme em Portugal :D

Aqui está o trailer do filme:


[OPINIÃO] - Crescendo


Título: Crescendo
Autor: Becca Fitzpatrick
Editora: Porto Editora
Edição: 2010
Páginas: 336
ISBN: 9789720043092
P.V.P.: 16,60€
A minha classificação: 3,5/5








Sinopse:
"Depois do best-seller hush, hush

A vida de Nora Grey continua longe de ser perfeita. Sobreviver a um ataque que podia ter-lhe custado a vida não foi fácil, mas tudo se resolveu, graças ao seu anjo da guarda ¿ uma criatura misteriosa, sedutora e bela.
Mas Patch tem sido tudo menos angelical. Está mais distante do que nunca e parece estar a passar demasiado tempo com a arqui-inimiga de Nora, Marcie Millar. E, como se isso não bastasse, Nora é assombrada por recordações do seu pai assassinado, começando a pensar que as intrigas dos anjos poderão estar relacionadas com a morte dele.
Desesperada por desvendar os estranhos acontecimentos do seu passado, Nora expõe-se ao perigo, na esperança de encontrar algumas respostas.
Mas todos sabemos que há perguntas que nunca devem ser feitas..."



Neste livro a história leva um rumo completamente diferentes. Se no primeiro livro a Nora e o Patch não se largavam, neste praticamente não estão juntos. Devido a "algo" (não quero contar muito para não fazer asneiras) o Patch afasta-se da Nora e aproxima-se da Marcie Millar, o que deixa Nora muito confusa e ainda com mais ódio pela Marcie.
Entretanto, um amigo de infância da Nora, o Scott, está de volta à cidade. O rapaz parece ter alguns segredos e também ter ar de ser perigoso. Mas como Nora não consegue manter-se afastada dos perigos, começa a passar algum tempo na companhia do Scott e a descobrir o porquê do rapaz ser tão misterioso.
Ao mesmo tempo que tudo isto acontece na vida da jovem, o pai dela resolve fazer-lhe algumas visitas-surpresa, o que a deixa em estado de choque e com uma réstia de esperança. É que o pai dela supostamente foi assassinado há uns anos atrás e devia estar morto. Por isso, o que será que se passa?

Confesso que não gostei tanto deste livro como de Hush, Hush. Apesar de todos os momentos em que a Nora e o Patch estão juntos serem cheios de química e de quase sentirmos a paixão que sentem um pelo outro a emanar das páginas do livro, não gostei do "sumiço" do Patch e achei que a história perdeu um pouco do seu encanto devido ao afastamento das personagens. Os momentos de suspense também não me deixaram tão extasiada como os do livro anterior, a não ser uma ou outra passagem da Nora com o pai.

Apesar disso, gostei de assistir ao crescimento da Nora e perceber que está mais madura, apesar de ainda ter algumas atitudes de criança. Mas acho que a adolescência é mesmo isso, não é? Neste livro já simpatizei mais com a Vee, apesar de continuar a achar que não é uma verdadeira amiga em alguns acontecimentos. No entanto, acho-lhe imensa piada e gostei de a ver apaixonada.

A autora consegue cativar-nos a partir da sua escrita leve e com bastante humor. Fico à espera de ver o que acontece no próximo livro.

terça-feira, 28 de junho de 2016

[OPINIÃO] - Hush, Hush


Título: Hush, Hush
Autor: Becca Fitzpatrick
1.ª Edição: 2009
Editora: Porto Editora
Edição: 2015
Páginas: 320
ISBN: 9789720045492
P.V.P.: 16,60€
A minha classificação: 4,5/5







Sinopse:
"UM JURAMENTO SAGRADO

UM ANJO CAÍDO
UM AMOR PROIBIDO



Apaixonar-se não fazia parte dos planos de Nora Grey. Nunca se sentira atraída por nenhum dos rapazes da sua escola, apesar da insistência de Vee, a sua melhor amiga.

Então, aparece Patch. Com um sorriso fácil e uns olhos que mais parecem trespassar-lhe a alma, Patch seduz Nora, deixando-a completamente indefesa.
Mas, após uma série de encontros assustadores com Patch, que parece estar sempre onde ela está, Nora não consegue decidir se há de cair-lhe nos braços ou fugir sem deixar rasto.
Em busca de respostas para o momento mais confuso da sua vida, Nora dá consigo no centro de uma antiga batalha entre imortais. E quando é chegada a altura de escolher um rumo, a opção errada poderá custar-lhe a vida."



Este livro conta-nos a história de Nora Grey, uma jovem de dezasseis anos (acho) que, numa aula de Biologia se vê obrigada a ser o par de Patch, um rapaz muito misterioso, sobre o qual nada sabe a não ser que tem uma fixação por roupa preta e que é bastante giro. A partir do dia em que se conhecem, a vida de Nora muda drasticamente. Começa a sentir-se perseguida, presencia ocorrências estranhas e não se sente segura em lado nenhum. A não ser com Patch. Patch envolve-a num misto de medo, segurança e atração e quando Nora pensa que a sua vida não pode ficar ainda mais "virada do avesso", descobre que Patch não é um rapaz qualquer, mas sim um anjo caído. A partir daqui a jovem vê-se envolvida num mundo sobrenatural, do qual não será fácil sair.

Este foi um livro que me cativou desde a primeira até à última página. A história até pode parecer mais do mesmo: a rapariga mais normal do mundo conhece um rapaz misterioso, sente-se atraída por ele e acaba por descobrir que ele é um ser sobrenatural, mais concretamente um anjo caído. Mas esta história acaba por sair dos "limites" do romance e envolve muito mistério, o que nos deixa colados às palavras da autora à procura do que vai acontecer a seguir. A escrita de Becca Fitzpatrick é bastante simples e fluída, os capítulos são curtinhos e os momentos de suspense são muito bons. A autora conseguiu fazer com que me sentisse desconfortável nos momentos em que a personagem principal também se sentia.

Gostei bastante do enredo e das personagens. Aquela de que menos gostei foi da Vee porque não me pareceu ser assim tão boa amiga, mas sim uma daquelas pessoas a quem damos tudo e acabam por não nos retribuir da maneira mais apropriada. Mas claro que lhe achei imensa piada em várias partes do livro, por isso a personagem não me irritou muito.

É um livro que recomendo a todas as pessoas que gostam de romances e de fantasia.

[OPINIÃO] - Vamos Aquecer o Sol


Título: Vamos Aquecer o Sol
Autor: José Mauro de Vasconcelos
1.ª Edição: 1974
Editora: Booksmile
Edição: 2015
Páginas: 320
ISBN: 9789898491879
P.V.P.: 13,99€
A minha classificação: 3,5/5



Sinopse: "Esta é a continuação do muito aclamado O Meu Pé de Laranja Lima, a obra autobiográfica de José Mauro de Vasconcelos. Neste livro vamos reencontrar Zezé, o menino com um coração do tamanho do mundo, e que, por isso, sofre demais. Agora com dez anos, ele vive com os pais adotivos em Natal, no nordeste brasileiro.


Zezé estuda num colégio católico mas continua a viver no seu mundo de fantasia, onde tem por companhia um sapo imaginário a que chama Adão e com o qual dialoga e desabafa. Nos seus sonhos, Zezé vai criar a imagem ideal de um pai, que lhe surge na figura de um famoso ator de cinema. É pelo seu pai imaginário que Zezé se sentirá amado como um filho de verdade, como nunca antes se sentira.

Uma história de amadurecimento, da passagem da infância para a adolescência, contada com a mais pura sensibilidade por José Mauro de Vasconcelos, vencedor do Prémio Jabuti de Romance, o mais importante prémio literário brasileiro."




Eu, que tanto amo O Meu Pé de Laranja Lima, não sabia que existia a continuação da história. É claro que assim que soube da existência deste livro tive de o comprar... No entanto, a história não me cativou tanto como o primeiro livro, o que me deixou desiludida. Acho que estava com as expectativas muito elevadas e a continuação não foi tão boa como esperava, Mas é claro que foi uma leitura que valeu a pena e da qual gostei.

Em Vamos Aquecer o Sol, encontramos Zezé com dez anos, a viver com uma família adoptiva, a ter aulas de piano e a frequentar um colégio católico. Logo no início do livro assistimos ao princípio da amizade entre Zezé e Adão, o sapo que vive no lugar do coração do menino e que se torna o seu maior confidente e um grande amigo.

Zezé continua a ser um menino carente, que se sente sozinho e que recorre à imaginação para viver grandes aventuras e para ter quem cuide dele. Ele sente que a sua família adoptiva não gosta dele como se fosse um filho "verdadeiro", impõem-lhe demasiadas regras e obrigam-no a ter aulas de piano, das quais está farto. O que ele quer é sentir-se livre, nadar e subir às árvores como fazia na sua vida anterior. Um dia Zezé vai ao cinema e assiste a um filme protagonizado por Maurice, um ator francês por quem o menino fica fascinado e que, por isso, o adopta como pai. E é com este pai imaginário que Zezé se vai sentir realmente amado como um filho se deve sentir.



Apesar de não ter ficado deslumbrada com esta história não posso dizer que não tenha gostado. O Zezé conquistou o meu coração e neste livro, apesar de não ser a criança que só me apetece levar para casa, continua a mostrar ter um coração do tamanho do mundo, o que enternece qualquer pessoa. Mas em O Meu Pé de Laranja Lima encontramos muitas mais aventuras, asneiras e demonstrações de amor do Zezé, o que cativa mais o leitor. Em Vamos Aquecer o Sol, encontramos um Zezé mais maduro, que lida de forma diferente com as injustiças que o perseguem e que assume os seus erros. Uma vez que as personagens com quem ele cria uma maior empatia são imaginárias, não consegui gostar tanto deste livro como do anterior, onde existia a amizade maravilhosa da criança com o Portuga. No entanto, gostei da relação do Zezé com Fayolle e também com Dadada.

Este livro apresenta-nos o crescimento do Zezé, desde a infância até à adolescência. Dá-nos a conhecer o seu caráter corajoso e decidido, o seu espírito livre e o seu primeiro amor. É um livro que nos relembra a importância do amor na vida de qualquer pessoa, mas sobretudo na de uma criança.

[OPINIÃO] - O Meu Pé de Laranja Lima



Título: O Meu Pé de Laranja Lima
Autor: José Mauro de Vasconcelos
1.ª Edição: 1968
Editora: Booksmile
Edição: 2015
Páginas: 208
ISBN: 9789898491886
P.V.P.: 13,99€
A minha classificação: 5/5







Sinopse: "Plano Nacional de Leitura

Livro recomendado para o 3º ciclo, destinado a leitura autónoma.

Esta é a história comovente de Zezé, um menino de seis anos nascido no seio de uma família muito pobre. Zezé é inteligente, sensível e criativo, mas muito endiabrado. Carente do afeto que não encontra junto do pai e da mãe, mais preocupados em sobreviver a cada dia, o menino perde-se nas ruas, onde só lhe dá para inventar travessuras.

Tendo aprendido demasiado cedo a dor e a tristeza, Zezé acaba por usar o mundo da sua imaginação para fugir da realidade da vida: toma por confidente um pé de laranja lima, a que chama Xururuca e ao qual revela os seus sonhos e desejos. Será nesta fantasia que Zezé vai encontrar a alegria de viver e a força para vencer as suas adversidades. O Meu Pé de Laranja Lima é a obra maior de José Mauro de Vasconcelos, um dos grandes nomes da literatura brasileira. Um livro autobiográfico que urge descobrir, ou reencontrar, e que é aclamado como um dos mais importantes livros juvenis em língua portuguesa."




Esta foi a terceira vez que li este livro, mas cada vez é como se fosse a primeira. Quando me perguntam "Quais são os livros da tua vida?" este faz sempre parte da resposta.


Zezé é um menino de cinco anos (quase seis) que nasceu no seio de uma família com poucas possibilidades e onde as irmãs mais velhas cuidam dos irmãos mais novos. É uma criança muito curiosa, cheia de vida e muito adulta para a idade. No entanto, é também um menino muito travesso, constantemente metido em sarilhos e que diz ouvir o diabo segredar-lhe maldades ao ouvido. Por todas as situações em que se mete acaba por levar muitos sermões e umas boas tareias, sentindo-se muitas vezes indesejado pela família.
Esta é a sua história, a história de um menino reguila mas muito sensível, que se viu obrigado a crescer depressa demais. Ao longo do livro acompanhamos as suas travessuras, a relação que tem com os membros da sua família, o seu natal, a sua ida para a escola e a amizade que cria com o Portuga e com o seu pé de laranja lima.



Este é um daqueles livros que eu penso que todas as pessoas deviam ler. A história desta criança, tão carente de amor, é algo que nos faz pensar, que nos faz querer olhar para aqueles que têm menos do que nós e ajudá-los, alimentando os seus sonhos e dando-lhes o nosso carinho. É impossível não permitir que as emoções nos invadam ao lermos este livro. Num minuto estamos a rir com as asneiras do pequeno, noutro estamos enternecidos com o cuidado e amor que ele demonstra pelo irmão mais novo e a seguir ainda nos desmanchamos em lágrimas quando percebemos a tristeza e incompreensão que por vezes sente.

Tudo neste livro é mais do que lindo, mas não posso deixar de referir o momento em que Zezé e Luís vão à distribuição de brinquedos, a noite de natal, a ternura do menino para com a professora, o amor de Glória por Zezé e a maravilhosa amizade que nasce entre a criança e Portuga.



Aconselho vivamente todas as pessoas a lerem este livro porque é, sem dúvida, um dos mais comoventes de sempre.

[OPINIÃO] - Cem Anos de Solidão


Título: Cem Anos de Solidão
Título original: Cien Años de Soledad
Autor: Gabriel García Márquez
1.ª Edição: 1967
Editora: Dom Quixote
Edição: 2009
Páginas: 424
ISBN: 9789722039208
P.V.P.: 13,90€
A minha classificação: 5/5






Sinopse: "Plano Nacional de Leitura

Livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura.

«Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que o pai o levou a conhecer o gelo.» Com estas palavras - tão célebres já como as palavras iniciais do Dom Quixote ou de À Procura do Tempo Perdido - começam estes Cem Anos de Solidão, obra-prima da literatura contemporânea, traduzida em todas as línguas do mundo, que consagrou definitivamente Gabriel García Marquez como um dos maiores escritores do nosso tempo. A fabulosa aventura da família Buendía-Iguarán com os seus milagres, fantasias, obsessões, tragédias, incestos, adultérios, rebeldias, descobertas e condenações são a representação ao mesmo tempo do mito e da história, da tragédia e do amor do mundo inteiro."


As minhas marcações


Este livro foi-me oferecido pelas minhas tias quando fiz 13 ou 14 anos. Na altura tentei lê-lo por duas vezes mas não passava do primeiro capítulo porque não percebia a história e muito menos as metáforas utilizadas pelo autor. Mas tanta foi a insistência da parte das minhas tias e ouvi falar tão bem deste livro que resolvi tentar mais uma vez. E ainda bem que o fiz.

É difícil resumir este livro devido à quantidade de personagens e de acontecimentos. Aliás, esta edição foi uma grande ajuda para mim porque tem a árvore genealógica da família Buendía, o que nos ajuda a perceber as ligações entre os diferentes elementos e não nos deixa perdidos em nomes que muitas vezes passam de geração em geração. O único ponto negativo é que esta árvore genealógica acaba por nos "spoilar" ao representar as relações extra-conjugais, os casamentos e os filhos legítimos e ilegítimos.

CUIDADO! Pode conter spoiler!

No geral, esta é a história de várias gerações da família Buendía. A primeira geração desta família, o casal José Arcadio Buendía e Úrsula Iguarán, ajudaram a fundar Macondo, uma aldeia fictícia. É em Macondo que assistimos ao crescimento da família Buendía, marcada por fortes crenças, características muito peculiares e também por relações incomuns e de incesto. Apesar das diferentes personalidades e das particularidades de cada elemento da família, há algo comum a todos eles: a solidão. Todas as personagens a dada altura da história acabam por se sentir sós, o que resulta no título deste livro.

Uma palavra acerca deste livro: maravilhoso. É normal que há dez anos atrás não tivesse gostado da leitura porque não tinha a maturidade exigida para a compreensão desta história. Agora sei que este vai ser um dos livros que vai marcar a minha vida. Há todo um conjunto de crenças sobrenaturais e de poderes mágicos ligados às personagens que eu adorei, há personagens das quais gostei muito e outras de quem não gostei nada. Mas penso que não houve nenhuma personagem que estivesse a mais porque todas elas foram importantes para o desenvolvimento da história. Este é um livro sem momentos mortos, uma história cheia de acontecimentos e de surpresas. Foi uma leitura fantástica!

A escrita de Gabriel García Márquez é soberba e facilmente se entende porque é que este é um livro tão aclamado e vencedor do Prémio Nobel da Literatura em 1982. O autor tem uma mente por demais imaginativa e consegue passar as suas ideias para palavras de uma forma linda. É uma leitura que não cansa e que só nos dá vontade de ler mais e mais. 

Como já deu para perceber, aquilo que mais gostei na história foram as particularidades de cada personagem, sendo que as que mais me marcaram foram Úrsula, Rebeca e Remedios, la Bella. Os momentos de guerra e conflitos políticos foram os que menos despertaram o meu interesse porque estava mais curiosa em relação ao desenvolvimento da família.

É um livro que recomendo a todas as pessoas que gostarem de histórias de família e do sobrenatural :)

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Férias e #MLVerão2016

Olá, olá!

Bem, chegaram finalmente as férias! Este foi um ano muito trabalhoso, uma vez que foi o meu primeiro ano de mestrado. E nestas duas últimas semanas estive sempre com a cabeça enfiada em livros (de estudo :/ ) ou no computador, porque tive três exames e quatro trabalhos para entregar.

Mas agora que tudo isso passou (pelo menos assim espero, uma vez que ainda não sei todas as notas), vou ter bastante tempo para me dedicar às leituras. Yeahhh!! :D  Espero também vir aqui mais vezes falar-vos sobre as minhas leituras ou sobre os livros que estou interessada em ler.

E por falar nisso... Agora que tenho um verão inteiro pela frente, decidi participar na Maratona Literária de Verão - 2016, promovida pelos blogs agoraquesoucritica.blogspot.pt e http://flamesmr.blogspot.pt/. Vai ser a primeira maratona em que vou participar e estou bastante ansiosa. Quem é que está também a participar?

Ainda não defini todos os livros que quero ler, mas pretendo atualizar o blog e o Instagram com a minha lista :)

Até agora são estes os livros que tenho definidos:

2 - Ler um livro de um autor português: Rio das Flores, de Miguel Sousa Tavares
4 - Ler um livro que está há muito tempo na estante: A Elegância do Ouriço, de Muriel Barbery
5 - Começar ou terminar uma série ou trilogia: Silêncio e Finale, de Becca Fitzpatrick (para acabar a série Hush Hush)
6 - Um livro que também tem filme: Cidades de Papel, de John Green
7 - Um livro de um género que nunca leste ou que não costumas gostar ou ler um romance contemporâneo: O Exorcista, de William Peter Blatty (nunca li nenhum livro de terror. Vamos lá ver como corre :P )
8 - Um livro que te deram: A Frágil Doçura do Bolo de Limão, de Aimee Bender (a minha mamãzita deu-mo já há algum tempo)
9 - Reler um livro que não gostaste ou ler um livro de suspense/mistério: Antes de Adormecer, de S. J. Watson
10 - Ler um livro pela capa: Álbum de Verão, de Emylia Hall
11 - Ler um livro situado no verão: Três Verões, de Julia Glass
13 - Ler um livro com a cor amarela ou laranja na capa: Eu Dou-te o Sol, de Jandy Nelson
15 - Ler um livro de um autor que gostes mas que ainda não leste: Uma Morte Súbita, de J. K. Rowling
16 - Ler um livro que te recomendaram: Por Trás das Grades, de Maude Julien
20 - Ler um livro de capa dura: Anna Karenina, de Liev Tolstói

Podem saber mais sobre a maratona aqui: http://agoraquesoucritica.blogspot.pt/2016/06/maratona-literaria-de-verao-2016.html

Boas leituras ;)