terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

[OPINIÃO] - Ratos e Homens





Título: Ratos e Homens
Autor: John Steinbeck
Editora: Edições Livros do Brasil
Edição: 1988
1.ª edição: 1937
Páginas: 99
A minha classificação: 5/5⭐











Sinopse:
"Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura.

Publicado em 1937, Ratos e Homens conta a história de dois pobres diabos, George e Lennie, que vivem de trabalhos episódicos e sonham com uma vida tranquila, com a hipótese de arranjar uma quinta em que possam dedicar-se à criação de coelhos. George é quem lidera, é aquele que toma as decisões e protege o seu amigo, sem no entanto deixar de depender da amizade e da força de Lennie. Este é um gigante simpático, dotado de um físico excepcional, mas mentalmente retardado. E ambos acabam por envolver-se em mil e uma complicações, quando, no rancho onde finalmente encontram trabalho, a mulher do patrão entra em cena... Adaptado ao teatro, e várias vezes ao cinema, Ratos e Homens, que na verdade constitui uma fábula sobre a amizade e o sonho americano, é uma obra-prima da literatura realista, e um dos mais importantes romances de John Steinbeck."



A ação desta história passa-se durante a Grande Depressão dos anos 30, na América. Conhecemos George e Lennie que procuram trabalho de quinta em quinta, permanecendo o tempo que podem. George é um homem inteligente e um sonhador com os pés assentes na terra. Já Lennie é um tipo alto e forte, capaz de carregar pesados fardos de feno, mas com um atraso no desenvolvimento ou, como George diz, "falta de inteligência". Os dois andam sempre juntos, pois George procura cuidar do amigo, apesar de por vezes se fartar das asneiras não intencionadas do colega. Para além disso, Lennie tem dificuldade em lembrar-se do que lhe é dito e não é capaz de detetar o perigo nem tem noção da sua força. Esta é a razão pela qual, no início do livro, os dois homens se encontram a caminho de outra quinta.

Li este livro para a maratona Carnaval-a-Thon e, se não fosse pela maratona, provavelmente nunca teria lido esta obra maravilhosa. Este é um livro bastante pequeno, mas com uma mensagem enorme e muito, muito poderosa. Foi uma leitura que me tirou o fôlego, pela história em si e pela escrita do autor. Steinbeck não escreve com floreados nem com grandes eufemismos. A escrita do autor é simples, realista e chega por vezes a ser mesmo dura. O autor utiliza também expressões próprias dos camponeses, o que fez com que me sentisse ainda mais dentro da ação. Só pela escrita do autor, o livro já merece ser lido.




Quanto à história, Steinbeck retrata uma forte amizade e lealdade entre as duas personagens principais. O modo como George cuidava de Lennie, mesmo quando este fazia asneiras, foi algo que me enterneceu e me deixou de lágrimas nos olhos. Lennie é uma criança em tamanho grande e, como tal, só quer ser protegido e amado, coisa que George faz da melhor forma que sabe.

Os momentos em que o meu coração mais se agitou com esta história foram aqueles em que Lennie pedia a George que lhe contasse como ia ser o futuro dos dois. Sim, porque estes homens tinham um sonho, o sonho de terem o seu próprio espaço onde viver e trabalhar e com coelhos para que Lennie pudesse cuidar deles. Esta esperança foi algo que marcou esta leitura e que me emocionou bastante.
À medida que lia o desenrolar da história temia que que algo acontecesse a estas personagens, pelas quais me apaixonei instantaneamente. Torci por elas, quis sempre que lhes acontecesse o melhor, sofri por elas. Nos dias de hoje ainda é difícil viver com algum tipo de transtorno psicológico ou cuidar de alguém com esse problema, mas nos anos 30 era muito mais difícil porque não existia praticamente nenhuma informação e essas pessoas eram vistas como anormais, como menos humanas e como bobos da corte que podiam ser maltratados.
Sofri com cada injustiça de que Lennie foi vítima e revoltei-me com aqueles que o faziam sentir-se inferior. E isto aconteceu porque Steinbeck criou personagens tão reais, com falas e com ideias tão próprias dos seres humanos (dos verdadeiros seres humanos) e com características tão deslumbrantes que me fez sentir protetora em relação a elas, como se realmente as conhecesse.

E o final... O final deixou-me sem palavras e de coração apertado. E fez-me pensar: "Conseguiria eu sofrer para salvar alguém que amo de sofrer?". Ainda estou a digerir esta leitura, a refletir sobre tudo o que me transmitiu e o Lennie ainda continua presente no meu pensamento (e penso que ainda lá irá permanecer por muito tempo).

É um livro que nos fala de amizade, de sonhos, de injustiça e de compaixão. Um livro que me deixou deslumbrada e rendida a Steinbeck.


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