quarta-feira, 1 de março de 2017

[OPINIÃO] - Os Livros Que Devoraram o Meu Pai




Título: Os livros que devoraram o meu pai
Autor: Afonso Cruz
Editora: Editorial Caminho
Edição: 2010
Páginas: 128
ISBN: 9789722120951
P.V.P.: 12,50€
A minha classificação: 4/5⭐

Prémio Literário Maria Rosa Colaço 2009








Sinopse:
"Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o 3º ciclo, destinado a leitura autónoma. Também recomendado para a Formação de Adultos, como sugestão de leitura.

Vivaldo Bonfim é um escriturário entediado que leva romances e novelas para a repartição de finanças onde está empregado. Um dia, enquanto finge trabalhar, perde-se na leitura e desaparece deste mundo. Esta é a sua verdadeira história — contada na primeira pessoa pelo filho, Elias Bonfim, que irá à procura do seu pai, percorrendo clássicos da literatura cheios de assassinos, paixões devastadoras, feras e outros perigos feitos de letras."


Opinião:
Depois de ter lido Para Onde Vão os Guarda-Chuvas, confesso que esta pequena história me desiludiu um pouco. Apesar de adorar e venerar a escrita do autor (meu Deus, como é que é possível alguém escrever assim??) senti que faltava algo à história. No entanto, não deixa de ser um bom livro.

Este é um livro curto, que se lê rapidamente, mas que nos deixa uma grande mensagem.
Fala-nos de Vivaldo Bonfim, um homem que tinha uma paixão por livros e até os levava para o seu emprego, nas Finanças. Certo dia, o homem acaba por entrar num livro - A Ilha do Dr. Moreau, de H. G. Wells - e fica literalmente perdido no mundo das histórias.
Ao completar 12 anos, Elias fica a saber o que aconteceu ao seu pai e parte numa busca frenética para o encontrar, começando pela biblioteca do seu pai, no sótão da casa da avó.

Esta história fala-nos da paixão pelos livros e do poder que estes têm sobre os leitores. Afonso Cruz conseguiu levar-me de volta à minha infância, quando passava o tempo noutros mundos e a conversar com as minhas personagens preferidas em vez de amigos imaginários. Continuo a fazê-lo, mas de forma mais discreta. 😂  Para mim esse é o verdadeiro sentido da leitura: toda a magia envolvente e a relação criada entre o leitor e os espaços/personagens. Se procuram um livro que vos fale sobre isso, este é um dos mais adequados.

"O meu pai só pensava em livros (livros e mais livros!), mas a vida não era da mesma opinião, a vida dele pensava noutras coisas, andava distraída, e ele teve de se empregar. A vida, muitas vezes, não tem consideração nenhuma por aquilo que gostamos."

É também um livro que nos fala sobre os primeiros amores, desilusões, saudade, a procura de respostas, o amor, o cuidado das avós, amizade e crueldade própria da infância/adolescência. Este é um livro juvenil, que faz parte do Plano Nacional de Leitura para o 7.º ano, mas penso que é preciso ter uma certa maturidade para o compreender e para o apreciar.
As personagens com que Elias, a personagem principal, se vai cruzando são de livros reais e isso deu-me mais vontade de os ler. São mencionados livros como Crime e Castigo e Fahrenheit 451.

Por fim, não posso deixar de mencionar mais uma vez a qualidade da escrita de Afonso Cruz. O autor escreve de uma forma mágica e linda. Pode parecer estranho qualificar a escrita de um livro como sendo lindo, mas é mesmo isso que sinto. Penso que a forma como Afonso Cruz combina as palavras é brilhante e de uma beleza única, chegando mesmo a fazer-me arrepiar uns pelinhos dos braços.

"Para uns, a raiz é a parte invisível que permite a árvore crescer. Para mim, a raiz é a parte invisível que a impede de voar como os pássaros. Na verdade, uma árvore é um pássaro falhado."

Um livro que merece ser lido, não só pelos que já têm uma paixão por livros mas também por aqueles que (pensam que) não gostam.

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