quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

[OPINIÃO] - A Criança Roubada

Título: A Criança Roubada
Autor: Keith Donohue
Editora: Saída de Emergência
Edição: Maio de 2008
1.ª Edição: 2006
ISBN: 9789896377793
Páginas: 288
A minha classificação: 3,5/5★

SINOPSE:
Numa noite de Verão, Henry Day foge de casa e esconde-se no interior de uma árvore oca. É então que é encontrado pelos trasgos, uma tribo de crianças que não envelhecem e que existem na escuridão e em segredo. É levado por eles e baptizado de Aniday. Para sempre uma criança, Aniday cresce em espírito, esforçando-se por recordar a vida e a família que deixou para trás. Também tenta compreender e adaptar-se à terra das sombras, enquanto a vida moderna chega não só à natureza mas também ao mito. No seu lugar, os trasgos deixam um sósia, um rapaz que rouba a vida de Henry no mundo. Este novo Henry Day tem de se ajustar a uma cultura moderna enquanto esconde a sua verdadeira identidade da restante família Day. Mas não consegue esconder o seu extraordinário talento para o piano (um dom que o verdadeiro Henry nunca possuíra) e as suas maravilhosas exibições deixam o pai desconfiado de que o filho que criou é um impostor. Enquanto envelhece, o novo Henry Day é assombrado por vagas mas persistentes memórias de uma vida noutro tempo e local, de um professor alemão de piano e do seu aluno prodígio. A Criança Roubada é uma história clássica sobre a infância que é deixada para trás em busca de uma identidade. Com a mistura perfeita de realismo e fantasia, Keith Donohue criou uma história de embalar para adultos e uma fábula literária de grande profundidade.

OPINIÃO:
Este livro já estava na minha estante há muitos anos à espera de ser lido. Pela sinopse, sempre pensei que fosse um livro juvenil, tanto por ter como personagens principais as crianças, como pelo uso da fantasia, género pelo qual não me interessava muito. No entanto, nos últimos tempos tenho gostado cada vez mais de ler livros de fantasia e resolvi pegar neste. Engane-se quem pensa que este é um livro para crianças...

O livro inicia-se com o rapto de uma criança de sete anos, Henry Day, por um grupo de trasgos. Estes são seres sobrenaturais que vivem nos bosques e que vivem eternamente em corpo de crianças. No lugar de Henry deixam um trasgo, que se transforma de modo a ficar idêntico ao menino raptado para que ninguém desconfie da troca. Contudo, este novo Henry possui um talento para o piano que o antigo não tinha, o que deixa o pai algo desconfiado. Já o verdadeiro Henry, que foi apelidado de Aniday, tem de se habituar a uma nova vida nos bosques, a viver em tocas com os outros trasgos e é impedido de voltar para a sua família. A narrativa é contada a duas vozes, ora pelo Henry, ora pelo antigo trasgo, e aos poucos assistimos ao cruzamento cada vez mais iminente das suas vidas. A história segue o crescimento destas duas personagens à medida que amadurecem, exploram as suas emoções e se descobrem a si mesmas. 


O tema principal do livro é mesmo a autodescoberta. Henry Day, agora Aniday, começa a esquecer-se do seu verdadeiro nome, de quem era e como era a sua vida antes do rapto. Já o "substituto" vive com medo de ser descoberto e tenta adaptar-se à nova realidade e às pessoas que o rodeiam. Ambos se sentem permanentemente insatisfeitos, como se faltasse algo nas suas vidas, e são várias as reflexões que ambas as personagens fazem. Este é, para mim, o factor menos positivo do livro pois quebra toda a aura mística e fantástica transmitida pelo autor, e acabou por me cansar em alguns momentos. O ritmo da história é bastante lento, possivelmente uma forma criada por Donohue para indicar a passagem do tempo.

Esta leitura foi uma boa surpresa pois não esperava encontrar algo tão intenso. Penso que é um livro indicado para os amantes de fantasia, de lendas e de mitos.

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