terça-feira, 23 de janeiro de 2018

[OPINIÃO] - A Educação de Eleanor

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Título: A Educação de Eleanor
Autor: Gail Honeyman
Editora: Porto Editora
Edição: Abril de 2017
ISBN: 978-972-0-04898-1
Páginas: 328
A minha classificação: 5/5★

SINOPSE
Eleanor Oliphant tem uma vida perfeitamente normal - ou assim quer acreditar. É uma mulher algo excêntrica e pouco dotada na arte da interação social, cuja vida solitária gira à volta de trabalho, vodca, refeições pré-cozinhadas e conversas telefónicas semanais com a mãe.
Porém, a rotina que tanto preza fica virada do avesso quando conhece Raymond - o técnico de informática do escritório onde trabalha, um homem trapalhão e com uma grande falta de maneiras - e ambos socorrem Sammy, um senhor de idade que perdeu os sentidos no meio da rua.
A amizade entre os três acaba por trazer mais pessoas à vida de Eleanor e alargar os seus horizontes. E, com a ajuda de Raymond, ela começa a enfrentar a verdade que manteve escondida de si própria, sobre a sua vida e o seu passado, num processo penoso mas que lhe permitirá por fim abrir o coração.


OPINIÃO
Assim que vi este livro fiquei com vontade de o ler, por várias razões. Primeiro, a capa captou logo a minha atenção pela sua beleza, depois porque fiquei intrigada ao ler a sinopse e, por fim, pelas inúmeras opiniões positivas que li e ouvi nas diversas redes sociais. Tinha quase a certeza de que ia ser uma boa leitura e não me enganei. Assim que comecei a ler, não consegui parar.
Eleanor tem 29 anos, vive sozinha e tem um trabalho estável. Ao que tudo indica tem uma vida perfeitamente normal e sente-se bem com o seu quotidiano (aliás, o título original do livro é Eleanor Oliphant is Completely Fine). Mas não é bem assim... A protagonista deste livro ora é invisível ora é motivo de riso no local onde trabalha, não tem amigos, os seus fins-de-semana são passados na companhia de vodka e o seu passado foi tudo menos fácil.
A autora dá-nos a conhecer o dia-a-dia da protagonista, desde a ida à depilação, passando pela encomenda de uma pizza e a ida a uma loja de informática. São estes momentos, de interacção aparentemente simples entre pessoas, que nos permitem perceber a dificuldade de socialização de Eleanor. Ela diz tudo o que pensa, não se preocupa com a opinião dos outros em relação a si e vive num mundo completamente à parte, o que dificulta ainda mais a sua integração na sociedade. Foram momentos que, ao início, fizeram com que soltasse umas valentes gargalhadas, mas à medida que fui conhecendo melhor a personagem enchi-me de compaixão por ela. O equilíbrio existente entre os momentos cómicos e dramáticos foi um dos pontos mais positivos neste livro.
Um certo dia a vida de Eleanor sofre uma reviravolta quando, juntamente com um colega de trabalho, se vê na obrigação de ajudar um idoso na rua. A partir deste momento Eleanor não volta a estar sozinha e, com a devida ajuda, regressa ao seu passado para combater os fantasmas que a assombram. Afinal, qual terá sido a educação de Eleanor?

"Senti o calor onde a mão dele estivera; fora apenas um momento, mas deixara uma impressão quente, quase como se fosse visível. Pensei que a mão humana tinha exatamente o peso e a temperatura certa para tocar noutra pessoa. Já dera muitos apertos de mão ao longo dos anos - e em particular nos últimos tempos -, mas há uma vida que ninguém me tocava." (pág. 171)

Foi uma leitura maravilhosa, que me deu momentos de puro divertimento mas também me deixou de coração apertado. É impossível ficarmos indiferentes a Eleanor Oliphant e à sua história. Desengane-se quem pensa que este é um romance fofinho ou uma leitura leve porque é muito mais que isso. É um livro sobre solidão, inadaptação, resiliência, perdão e a descoberta da amizade. E se à primeira vista a protagonista parece uma mulher tonta e irritante, garanto-vos que vão mudar de opinião e ver a força que ela tem.
Este é um livro que vou querer reler e recomendo muito a sua leitura.

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