segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

[OPINIÃO] - O Diário de Anne Frank - Diário Gráfico

Título: O Diário de Anne Frank - Diário Gráfico
Autor: Ari Folman
Ilustrador: David Polonsky
Editora: Porto Editora
Edição: Setembro de 2017
ISBN: 978-972-0-04044-2 
Páginas: 160
A minha classificação: 5/5★

SINOPSE:
Escrito entre 12 de junho de 1942 e 1 de agosto de 1944, O Diário de Anne Frank foi publicado pela primeira vez em 1947, por iniciativa de seu pai, revelando ao mundo o dia a dia de dois longos anos de uma adolescente forçada a esconder-se, juntamente com a sua família e um grupo de outros judeus, durante a ocupação nazi da cidade de Amesterdão.

Todos os que se encontravam naquele pequeno anexo secreto acabaram por ser presos em agosto de 1944, e em março de 1945 Anne Frank morreu no campo de concentração de Bergen-Belsen, a escassos dois meses do final da guerra na Europa. O seu diário tornar-se-ia um dos livros de não ficção mais lidos em todo o mundo, testemunho incomparável do terror da guerra e do fulgor do espírito humano.


OPINIÃO:
Li O Diário de Anne Frank quando tinha 12 anos. Foi o primeiro contacto que tive com o Holocausto e lembro-me que a história daquela menina, praticamente da mesma idade que eu, me chocou imenso. Sete décadas após o lançamento de um dos livros mais conhecidos, a Porto Editora lançou esta edição em formato Banda Desenhada e eu fiquei logo com vontade de voltar a encontrar-me com Anne Frank.

Penso que Folman e Polonsky conseguiram transmitir muito bem as ideias e a personalidade da jovem, bem como a vida que aquelas oito pessoas tinham no anexo. É claro que não está tão explícito nem é tão forte como a edição original, mas é preciso ter em conta que este é um livro para jovens e que, por essa razão, os autores tiveram o cuidado de escolher bem as palavras e acompanhá-las com ilustrações chamativas e, por vezes, um pouco bizarras e cómicas.


No entanto, há momentos que merecem ser lidos com atenção e sensibilidade pela enorme carga emocional que transmitem. Não nos esqueçamos que esta é a história de uma jovem de 13 anos que se vê obrigado a viver num espaço pequeno, com quatro estranhos, durante dois anos. Já é difícil ser adolescente, ser comparada à irmã perfeita, andar em "pé-de-guerra" com a mãe e ver as modificações que o seu corpo e a sua mente sofrem. É ainda mais complicado quando se é obrigado a conviver com pessoas que não conhecíamos e que opinam sobre a nossa vida como se tivessem esse direito, pessoas com personalidades tão distintas da nossa. E viver tudo isto com o medo de se poder ser descoberto e morto a qualquer momento é algo insuportável.


Os autores conseguem transmitir a preocupação que havia com a escassez de comida, as discussões existentes no anexo, o terror que vinha com o barulho das bombas e as variações de humor de Anne Frank, bem como a sua paixão por Peter. A grande imaginação e o sentido de humor da jovem também não foram esquecidos e há momentos bastante cómicos e caricatos dos habitantes do anexo. A arte de Polonsky é incrível e é, sem dúvida, um factor que enriquece bastante esta obra.
Dei por mim a envolver-me novamente na história, como se não a conhecesse, e a admirar-me com a maturidade de Anne. O modo como transmite os seus sonhos e sentimentos são de uma enorme profundidade, nada característica em jovens desta idade. Já em relação à sua personalidade, encontramos as atitudes e as ideias próprias de uma adolescente.

Folman e Polonsky procuraram manter-se fiéis ao diário de Anne Frank, mas inovaram nas palavras para procurar uma maior aceitação por parte do público mais jovem. Esta é, no entanto, uma interpretação muito respeitadora e que encontrou a aprovação da família de Anne para poder ser publicada.
É um livro que merece, sem dúvida, ser lido por jovens e adultos.


Sem comentários:

Enviar um comentário

Partilhar